Ex-presidente burquinense Blaise Compaoré deixa exílio na Costa do Marfim

Ex-presidente burquinense Blaise Compaoré deixa exílio na Costa do Marfim

Abidjan, 20 nov (Lusa) -- Blaise Compaoré, o presidente deposto do Burkina Faso, abandonou hoje a Costa do Marfim, onde se encontrava exilado desde a sua deposição, a 31 de outubro, em direção a Marrocos, indicou fonte da Presidência costa-marfinense.

Lusa /

Compaoré, a mulher e outros elementos da sua família saíram durante a tarde de Yamoussoukro, a capital constitucional da Costa do Marfim, onde estavam há três semanas, referiu a mesma fonte, asseverando que a partida do ex-chefe de Estado burquinense não é definitiva, "estando previsto o seu regresso".

A família Compaoré descolou da capital política costa-marfinense num avião especialmente fretado para o efeito, sublinhou a mesma fonte, sem precisar se o avião pertence à Costa do Marfim, a Marrocos ou se se trata de um jacto privado.

Por seu lado, as autoridades marroquinas -- com quem Compaoré mantém boas relações - não emitiram, até agora, qualquer declaração sobre o assunto.

O rei de Marrocos dirigiu hoje, em contrapartida, uma "mensagem de felicitações" ao Presidente interino, Michel Kafando, dois dias após a posse deste.

"A vossa nomeação (...) corresponde à vontade do povo do Burkina Faso de avançar na via da consolidação da democracia", declarou Mohammed VI, segundo a agência oficial MAP.

O monarca expressou igualmente o "apoio permanente de Marrocos" e reafirmou a sua "firme determinação em trabalhar, em concertação com o Sr. Kafando, para conferir uma dinâmica renovada às relações de cooperação, frutuosas e de solidariedade ativa", segundo a mesma fonte da Presidência costa-marfinense.

Blaise Compaoré foi deposto a 31 de outubro, na sequência de uma série de manifestações populares, após 27 anos no cargo, por ter querido rever a Constituição para se manter no poder.

No dia da sua destituição, foi retirado do país, com destino a Yamoussoukro, graças a meios militares franceses.

A sua presença na Costa do Marfim foi classificada por Abidjan -- capital onde se situa a sede do Governo -- como "uma evidência", à sua chegada, mas ela causou controvérsia, devido à sua muito contestada atuação durante a década de crise político-militar costa-marfinense (2002-2011).

 

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