Ex-presidente colombiano pede à futura governação que mantenha acordo de paz

Ex-presidente colombiano pede à futura governação que mantenha acordo de paz

O ex-presidente colombiano e Prémio Nobel da Paz Juan Manuel Santos (2010-2018) apelou esta terça-feira ao presidente eleito Abelardo de la Espriella para que prossiga com a implementação do acordo de paz assinado em 2016.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Luis Acosta - AFP

"Faço um apelo respeitoso, mas firme, ao próximo Governo para que retome o caminho da implementação. Não como um legado de um Governo, mas como uma política de Estado que beneficia todos os colombianos", afirmou Santos durante a participação num congresso que comemora uma década da assinatura do acordo de paz, assinado em 24 de novembro de 2026, que permitiu a desmobilização das antigas FARC.

De la Espriella, que tomará posse no próximo dia 07 de agosto, anunciou esta segunda-feira a eliminação de conselhos e agências ligados à Presidência da República, entre os quais o do comissário para a Paz, que tem conduzido as negociações com os grupos armados ilegais.

"A partir de 07 de agosto, o objetivo será a segurança do povo e o desmantelamento total do perverso sistema de impunidade que reina neste momento e que vai acabar assim que eu assumir o cargo de forma definitiva", declarou esta terçafeira o presidente eleito, crítico da política de "Paz Total" do Presidente cessante, Gustavo Petro.

De la Espriella afirmou que, quando assumir a Presidência, os ministérios da Justiça e do Interior, juntamente com o comissário para a Segurança --- uma figura que ainda não existe ---, "têm ordens para acabar imediatamente, no respeito pela Constituição e pela lei, com toda a impunidade que se refugia na ilusão de uma falsa paz".

Santos destacou, por isso, os resultados alcançados desde a assinatura do acordo e agradeceu àqueles que participaram no processo, em especial às vítimas, pela confiança.

"Quero agradecer à comunidade internacional que nos acompanhou com constância e perseverança (...), aos negociadores do Governo e da antiga guerrilha, cujo trabalho permitiu abrir uma porta que muitos acreditavam estar fechada. Mas, acima de tudo, quero agradecer às vítimas e aos signatários da paz", afirmou Santos, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2016.

O ex-presidente destacou o trabalho da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que impõe penas restaurativas, que não implicam prisão, àqueles que colaboram no esclarecimento da verdade sobre o que aconteceu durante o conflito armado.

"O que está a acontecer na JEP não tem precedentes no mundo. Os principais responsáveis a reconhecerem publicamente crimes atrozes, delitos que durante décadas permaneceram impunes", enfatizou.

Além disso, Santos rejeitou que o acordo tenha fortalecido os grupos criminosos no país.

"Atribuir a culpa ao acordo pelas ações destas estruturas é ignorar deliberadamente a realidade e, acima de tudo, ignorar que o que permite travar esses grupos é precisamente a sua implementação e não a sua sabotagem. O fracasso não é do acordo, é daqueles que impediram a sua implementação integral", afirmou o ex-governante.

Por seu lado, os últimos dirigentes do antigo secretariado da guerrilha das FARC pediram, esta terça-feira, em carta enviada ao presidente eleito que "encontre formas" que permitam cumprir a implementação do tratado, cujo décimo aniversário será comemorado em novembro.

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