Ex-primeira-ministra Hasina anuncia regresso ao Bangladesh em dezembro
A ex-primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, exilada na Índia, revelou que vai regressar ao seu país em dezembro, mesmo que isso signifique ser presa, defendendo que "o medo não pode ditar o seu "dever para com o povo".
Hasina, de 78 anos, transmitiu a sua decisão num mensagem de áudio divulgada na quarta-feira pelos meios de comunicação social indianos no segundo aniversário da queda do seu regime, em 05 de agosto de 2024, por uma revolta estudantil.
"Não posso ficar de braços cruzados enquanto os meus queridos compatriotas sofrem", acrescentou a antiga líder, condenada à morte no Bangladesh pela violenta repressão da revolta que levou à sua queda em 2024.
No poder desde 2009, Hasina fugiu do seu palácio na capital, Daca, para escapar às multidões enfurecidas que protestavam contra o seu governo.
Segundo as Nações Unidas, pelo menos 1.400 pessoas, a maioria manifestantes, foram mortas na repressão dos protestos.
Em novembro, Hasina foi considerada por um tribunal de Daca culpada de crimes contra a humanidade e condenada, à revelia, à morte por enforcamento, por ter ordenado à polícia que abrisse fogo.
Daca solicitou formalmente a extradição de Hasina, um pedido que Nova Deli afirmou estar "em análise".
Hasina declarou que deseja regressar ao Bangladesh em dezembro, mês que marca a independência do país, em 1971.
As suas declarações provocaram indignação em Daca, onde os manifestantes queimaram uma imagem da antiga governante.
Dezenas de milhares de pessoas acompanharam as suas declarações, que foram transmitidas `online`.
As autoridades do Bangladesh proibiram os meios de comunicação locais de transmitir o seu discurso.
No final de julho, numa entrevista escrita à agência France-Presse (AFP), Hasina já tinha afirmado a sua determinação em regressar ao país antes do final do ano, apesar dos riscos para a sua vida.
"Estou plenamente consciente do meu destino", insistiu no e-mail enviado à AFP.
O governo do Bangladesh garantiu que a ex-líder terá direito a um julgamento justo em todos os processos contra si, caso decida regressar.
As organizações de defesa dos direitos humanos acusaram o regime de Hasina de abusos como o assassínio de rivais, a repressão dos partidos da oposição, a manipulação dos tribunais e eleições viciadas.