Ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris admite nova candidatura à presidência
A ex-vice-presidente norte-americana Kamala Harris admitiu hoje voltar a concorrer à presidência norte-americana, após ter perdido a corrida de 2024 para Donald Trump.
"Talvez. Estou a pensar nisso", respondeu Harris ao reverendo Al Sharpton, depois de este lhe perguntar diretamente se iria concorrer à presidência em 2028.
"Servi durante quatro anos a um passo da presidência dos Estados Unidos. Passei inúmeras horas no meu gabinete na Ala Oeste, a poucos passos da Sala Oval. Passei inúmeras horas na Sala Oval e na sala de crise. Sei o que o cargo implica e sei o que é necessário", adiantou a ex-senadora californiana na convenção anual da National Action Network (NAN), um dos principais eventos anuais do ativismo afroamericano.
"Estou a pensar nisso no contexto de quem, onde e como se pode fazer o melhor trabalho para o povo americano. É assim que estou a pensar nisso. Vou mantê-los informados", prometeu ao público a primeira mulher de ascendência negra a ocupar o cargo de vice-presidente norte-americana.
Na NAN, Kamala foi alvo de diversos incitamentos a que dentro de dois anos volte a ser a candidata do Partido Democrata, recebeu a única ovação de pé e atraiu a maior multidão de todos os outros potenciais candidatos em 2028.
Sharpton observou que Harris obteve mais votos na sua campanha perdida de 2024 do que até mesmo os ex-presidentes democratas Barack Obama e Bill Clinton.
"Seja o que for que ela decida fazer, ela deixou a sua marca na história", disse Sharpton.
Harris lançou recentemente um comité de ação política e começou uma série de deslocações pelos Estados Unidos para apoiar candidatos democratas, especialmente nos estados do sul.
Depois das eleições intercalares de novembro, em que os democratas esperam retomar o controlo do Congresso, os pré-candidatos presidenciais deverão começar a posicionar-se para as primárias de 2027.
Entre os potenciais candidatos estão o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, o ex-secretário dos Transportes Pete Buttigieg, o governador de Illinois, JB Pritzker, o governador de Maryland, Wes Moore, o governador do Kentucky, Andy Beshear, o deputado Ro Khanna, da Califórnia, e os senadores do Arizona, Mark Kelly e Ruben Gallego.
Também o governador da Califórnia, Gavin Newsom, se tem posicionado como uma das principais alternativas do Partido Democrata, com uma oposição de grande visibilidade a Donald Trump.
Várias sondagens mostram Harris à frente entre os potenciais candidatos às primárias democratas, nomeadamente de Newsom.
Em fevereiro, Harris reativou hoje uma das contas na rede social X da campanha democrata de 2024 à presidência.
O objetivo da reativação, segundo Harris, é fornecer informação aos jovens norte-americanos e dar destaque a autoridades eleitas e figuras da sociedade civil.
A ex-vice-presidente tem percorrido o país nos últimos meses para promover o seu livro, "107 Dias", que corresponde à duração da sua campanha lançada apressadamente após a desistência de Joe Biden, a 21 de julho de 2024.
Na obra, lançada em setembro do ano passado, Harris afirma ter sido "imprudente" os democratas deixarem ao "cansado" Biden a decisão de recandidatura em 2024 e denunciou a equipa do ex-presidente por rebaixá-la.
O ex-presidente viria a desistir da corrida em julho de 2024, após um desempenho desastroso no debate com Trump, após o qual a então vice-presidente assumiu a candidatura democrata.
No excerto do livro, Harris continua a defender a capacidade de Biden para desempenhar o cargo, mas descreve-o em 2024, e sobretudo na altura do "desastre no debate", como "cansado".
A ex-vice-presidente também culpa pessoas próximas de Biden pela cobertura mediática desfavorável de que foi alvo durante todo o período em que desempenhou funções.
"De facto, parecia que decidiam que eu deveria ser um pouco mais rebaixada", afirma no seu livro.
O prolongamento por Harris da digressão promocional do livro este ano foi interpretado por vários analistas como um prelúdio para outra tentativa de conquistar a Casa Branca.
Harris tem criticado Trump em diversas ocasiões, mais recentemente depois da intervenção militar na Venezuela, que considerou "ilegal e imprudente"