Execuções a nível global atingem número mais elevado em 44 anos

Execuções a nível global atingem número mais elevado em 44 anos

Segundo a Amnistia Internacional, a China continuou a ser o país que mais execuções realizou no mundo, embora a verdadeira extensão permaneça desconhecida.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Hazem Bader - AFP

Em 2025, 2707 pessoas foram executadas em 17 países, um aumento de 77 por cento face ao registado em 2024. Este é também o número mais elevado registado pela Amnistia Internacional desde 1981, ano em que se registaram 3191 execuções.

O aumento impressionante registado no relatório “Penas de Morte e Execuções 2025” deveu-se a uma pequena minoria de governos, mas também à reintrodução das execuções em países como o Japão, Sudão do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos.

“Este aumento alarmante no uso da pena de morte deve-se a um pequeno grupo isolado de Estados dispostos a realizar execuções a todo o custo, apesar da tendência global contínua para a abolição”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, citada no relatório.

“Da China, Irão, Coreia do Norte e Arábia Saudita ao Iémen, Kuwait, Singapura e EUA, esta minoria sem escrúpulos está a utilizar a pena de morte como arma para incutir medo, esmagar a dissidência e demonstrar o poder que as instituições estatais têm sobre as pessoas desfavorecidas e as comunidades marginalizadas”, acrescenta.

Segundo a Amnistia, a China continuou a ser o país que mais execuções realizou no mundo, mas a verdadeira extensão do recurso à pena de morte permanece desconhecida, uma vez que estes dados continuam classificados como segredo de Estado.

Por este motivo, o número global de execuções registado pela Amnistia Internacional exclui os milhares de execuções que se acredita terem sido realizadas na China, bem como as realizadas no Vietname e na Coreia do Norte, onde a Amnistia Internacional acredita que a pena de morte foi amplamente utilizada.

Por sua vez, as autoridades iranianas são as principais responsáveis por este pico, por terem executado, pelo menos, 2159 pessoas em 2025, mais do dobro registado no ano anterior.


No total, foram registadas execuções em 17 países, um aumento de dois em relação aos números historicamente baixos registados em 2024 (15). Os métodos de execução utilizados em 2025 foram: decapitação; enforcamento, injeção letal, fuzilamento e asfixia por gás nitrogénio.

Quase metade das execuções registadas a nível global foi realizada ilegalmente por crimes relacionados com drogas, após o ressurgimento de abordagens altamente punitivas na “guerra contra as drogas”.

Foram também registadas, pelo menos, 2334 novas sentenças de morte em 48 países em 2025, em comparação com, pelo menos, 2087 sentenças de morte registadas em 46 países em 2024.
EUA em destaque entre as Américas
Pelo 17.º ano consecutivo, os EUA foram o único país das Américas a executar pessoas. Onze estados norte-americanos realizaram execuções em 2025, um aumento de dois em relação a 2024. As execuções nos EUA atingiram o número mais elevado desde 2009 (47), com a Flórida no topo, com 19 execuções.

A Ásia-Pacífico continuou a ser a região com o maior número de execuções no mundo, com sete países (Afeganistão, China, Japão, Coreia do Norte, Singapura, Taiwan e Vietname) a realizaram execuções em 2025 – mais dois do que em 2024.

As execuções foram retomadas no Japão e em Taiwan após um hiato e o governo de Singapura quase duplicou o seu total anual de execuções em comparação com 2024.

No Médio Oriente, o número de execuções “aumentou de forma alarmante”, passando de pelo menos 1442 em 2024 para, pelo menos, 2611 em 2025. O Irão registou 2159 execuções – o número mais elevado desde 1981.

Na Arábia Saudita, as execuções atingiram o número mais elevado de sempre, passando de pelo menos 345, em 2024, para pelo menos 356, em 2025.

Em sentido inverso, na África Subsariana as execuções diminuíram 47%, passando de 34, em 2024, para 18, em 2025. As execuções nesta região limitaram-se à Somália e ao Sudão do Sul.

Na Europa e na Ásia Central não foram registadas execuções.

Embora as execuções tenham aumentado, os países que as realizam continuam a ser uma minoria isolada. “Foram feitos progressos noutras partes do mundo, provando que a esperança é mais forte do que o medo”, diz a Amnistia.

“É hora de os países que executam se alinharem com o resto do mundo e deixarem esta prática abominável no passado. A pena de morte não nos torna mais seguros. Pelo contrário, é uma afronta irreversível contra a humanidade, motivada pelo medo, com total desrespeito pelo direito internacional dos direitos humanos”, afirmou Agnès Callamard.
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