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Exército do Haiti declara estado de alerta máximo face ao aumento da violência

Exército do Haiti declara estado de alerta máximo face ao aumento da violência

O Estado-Maior das Forças Armadas do Haiti decidiu ativar a `Condição D`, o nível máximo de alerta militar, a partir de segunda-feira, em plena escalada de violência no país.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Egeder Pq Fildor - Reuters

"Face à ameaça iminente de operações militares no terreno, o Alto Comando ordena a transição para a Condição D para todas as unidades e organizações militares em todo o território nacional", disse o Ministério da Defesa na sexta-feira.

De acordo com um comunicado, citado pelo portal de notícias Haiti Libre, a ordem inclui uma série de "medidas obrigatórias" que entrarão em vigor "de forma imediata" e deverão ser rigorosamente implementadas.

As medidas incluem a mobilização de todo o pessoal militar, o cancelamento de licenças, autorizações e permissões "até novas ordens", o uso obrigatório do uniforme oficial nas instalações militares e o reforço da segurança nas infraestruturas militares, incluindo "verificações sistemáticas de veículos e pessoal nos pontos de acesso" às bases.

"Qualquer violação ou ato de negligência será severamente punido, de acordo com o Código de Justiça Militar", refere o documento, sublinhando que será aplicada uma "política de tolerância zero" a qualquer demonstração de indisciplina.

A chamada `Condição D` implica um nível extremo de alerta, típico de um "estado de sítio" ou de uma ameaça iminente, e exige o máximo número possível de pessoal sob o comando da chefia militar.

O alerta surge num momento marcado pela expansão dos grupos criminosos no Haiti para além da capital Porto Príncipe.

O Haiti registou pelo menos 5.519 mortes por atos violentos perpetrados por grupos armados, forças de segurança e grupos de autodefesa entre 01 de março de 2025 e 15 de janeiro passados, de acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Está já no país uma missão multinacional, apoiada pelas Nações Unidas, para apoiar a polícia nas operações contra os grupos que há anos cometem assassínios, violações, pilhagens e raptos no Haiti, o país mais pobre das Américas.

Dezoito países comprometeram-se a participar nesta força, que contará eventualmente com até 5.500 membros e substituirá a Missão Multinacional de Apoio à Segurança, implementada desde junho de 2024 e liderada pelo Quénia.

Mais de meia centena de agentes da polícia do Chade chegaram na quarta-feira a Porto Príncipe, o primeiro contingente enviado para o Haiti como parte da nova força multinacional de combate ao crime organizado.

Após a chegada dos polícias chadianos, é esperado um contingente maior nos próximos dias para integrar a Força de Repressão de Gangues (FRG), disse fonte governamental à agência de notícias France-Presse.

A FRG anunciou, também na quarta-feira, a chegada ao Haiti do seu representante especial, o sul-africano Jack Christofides, numa onda de ataques de grupos armados contra a população.

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