Exército sírio recupera o controlo de subúrbios da capital

Exército sírio recupera o controlo de subúrbios da capital

Ainda se registam combates e bombardeamentos na capital síria, apesar das tropas leais ao regime terem aparentemente recuperado o controlo de alguns subúrbios. O exército rebelde fez “uma retirada estratégica”, as mesquitas estão transformadas em hospitais e as tropas impedem os residentes de se abastecerem. “Há corpos nas ruas” relata um ativista. Na ONU, a Liga Árabe e seus aliados ocidentais procuram aprovação internacional para os seus planos de resolução da crise síria.

Graça Andrade Ramos /
Apesar dos confrontos em Damasco a agência oficial SANA registou hoje apenas uma manifestação pró-regime na capital Youssef Badawi, EPA

As forças do Presidente Bashar al-Assad posicionaram-se na zona leste de al-Ghouta, e apoiam a ofensiva contra os subúrbios de Saqba, Hammouriya e Kfar Batna. Carros armados ocuparam o centro de Saqba e de Kfar Batna.

A ofensiva de 2.000 tropas regulares apoiadas por 50 carros armados iniciou-se sábado e fez pelo menos 19 mortos entre a população e os rebeldes.

O bairro de Saqba continuava a ser bombardeado esta segunda-feira com os soldados regulares a fazerem agora detenções casa-a-casa, segundo relatou um ativista, Kamal, à agência Reuters, por telefone. Acrescentou que as forças de segurança reocuparam os subúrbios de Damasco que a semana passada foram dominadas pelo exército rebelde Síria Livre.

“É uma guerra urbana. Há corpos nas ruas”, afirmou ainda outro ativista, de Kfar Batna.

Um terceiro, Raid, falando a partir de Saqba através de telefone satélite afirmou que “as Mesquitas foram transformadas em hospitais de campanha e estão a pedir sangue. Cortaram-nos a eletricidade. Não há gasolina nas estações de serviço e o exército está a impedir as pessoas de sair para irem buscar combustível para geradores ou aquecedores.”

A oposição ao regime diz que morreram 14 civis e cinco soldados rebeldes, em vários bairros de Damasco durante a ofensiva. Afirmam ainda que estes foram os combates mais violentos na capital desde o início da revolta em março e acrescentam que há focos de confronto em todo o país, “quase demasiados para o exército conseguir dominar, segundo dizem alguns”, segundo relatou uma ativista à Al Jazeera a partir de Damasco.

Uma conduta de gás explodiu hoje perto de Damasco numa operação que o regime atribuiu aos rebeldes. Foi a quarta vez que estas estruturas foram atacadas desde o início da revolta.

Segundo o Observatório sírio para os Direitos Humanos pelo menos 60 pessoas morreram em toda a Síria este domingo.

Portugal na ofensiva diplomática na ONU
A Liga Árabe reuniu entretanto o número de votos necessários para apresentar esta terça-feira, ao Conselho de Segurança da ONU, o seu plano para ultrapassar a crise síria, através de uma proposta de Marrocos.

Os países ocidentais estão confiantes que a recente escalada de violência poderá fazer virar a votação a favor dos planos da Liga Árabe e enviaram à ONU delegações ao mais alto nível.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros deverá estar presente, assim como o seu homólogo britânico, William Hague, o ministro português, Paulo Portas e a secretária de estado norte-americana Hillary Clinton. É esperado igualmente o responsável pela diplomacia alemã.

A Liga Árabe propõe que Bashar al-Assad se demita “pacificamente” e delegue os seus poderes no vice-presidente o qual, juntamente com um governo de unidade nacional, iria preparar eleições legislativas e presidenciais em dois meses.

O plano foi recusado por Damasco a semana passada, após o que a violência aumentou no país, fazendo com que a Liga Árabe suspendesse a Missão de Observadores que enviara à Síria.
Oposição russa
Esta terça-feira nada deverá ser votado na ONU. A Rússia já avisou que continua a opor-se ao novo projeto de resolução sobre a Síria preparado pela Liga e os seus aliados árabes.

Exclui ainda toda e qualquer negociação sobre o texto classificado pelo vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros como “inaceitável” e “próximo do que foi apresentado em outubro”, o qual foi chumbado pela Rússia e pela China. “Naturalmente que não podemos apoiá-lo", acrescentou.

Uma proposta russa de reunião, em Moscovo, do regime sírio com a oposição, noticiada esta manhã, já foi recusada. “Não recebemos nenhum convite e se recebêssemos não iríamos”, afirmou o Observatório sírio para os Direitos Humanos.

A diplomacia britânica confia apesar de tudo que algo terá de mudar. “A Rússia não pode continuar a bloquear as Nações Unidas e a acobertar a repressão brutal conduzida pelo regime [sírio]”, afirmou um porta-voz ministerial.

Já o ministro francês Alain Juppé reconheceu que as condições para fazer passar uma resolução “não estão reunidas”, devido ao bloqueio russo. Mas “as coisas evoluem, o regime mergulhou numa repressão cada vez mais sangrenta.”

E acrescentou, “é hoje evidente que o regime [sírio] tem de “dar a vez”.”
Primeira-Dama em fuga

Num sinal de que o regime sente o cerco a apertar-se, o jornal egípcio al-Masri al-Yom noticiou uma aparente tentativa de fuga da família direta do Presidente Bashar al-Assad, no domingo à noite.

Uma fonte anónima do exército Síria Livre afirmou que um comboio de veículos de luxo foi impedido de alcançar o Aeroporto Internacional de Damasco. Soldados rebeldes cercaram os carros e houve uma intensa troca de tiros com as forças da escolta, identificadas como pertencendo à guarda presidencial.

Dentro dos carros estariam a primeira-dama síria, a britânica Asma al-Assad e os seus filhos, a Mãe do Presidente, Anisa Makhlouf e ainda um primo abastado do Presidente, Rami Makhlouf com os seus filhos.

Após o ataque os carros regressaram à residência da família Assad. O relato não foi comentado oficialmente.
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