Extrema-direita não aceita resultados mesmo que passe à segunda volta no Peru
O empresário e ex-presidente da Câmara de Lima, Rafael López Aliaga, candidato à presidência do Peru pelo partido de extrema-direita Renovación Popular, afirmou que não aceita o resultado das eleições, mesmo que passe à segunda volta.
Num discurso perante centenas de pessoas num protesto organizado em frente ao Jurado Nacional de Eleições, López Aliaga afirmou que o que aconteceu no dia das eleições no Peru "não se viu nem mesmo na ditadura de [Nicolás] Maduro na Venezuela".
O candidato ultraconservador instou o Ministério Público e a polícia a deterem de imediato Piero Corvetto, chefe do Gabinete Nacional de Processos Eleitorais, responsável pela organização das eleições.
López Aliaga insistiu, sem apresentar provas, em denunciar fraude eleitoral devido aos problemas logísticos na distribuição do material eleitoral que causaram atrasos na abertura das mesas de voto na capital, e até mesmo o prolongamento das eleições para segunda-feira em 13 colégios eleitorais que não puderam abrir no domingo, com 52 mil eleitores no total.
No entanto, referiu que, alegadamente, houve 1,6 milhões de pessoas que normalmente votavam nas eleições e que, desta vez, não o fizeram devido aos atrasos na abertura das mesas de voto, embora não tenha apresentado provas.
"Posso prová-lo. Passei o dia e a noite a verificar as mesas que, historicamente, registavam 230 votos e que agora têm 100 votos, porque o material chegou tarde. Digamos que 30% desses votos fossem para a Renovación, estamos a falar de 500 mil votos. Ladrão, Corvetto", salientou.
"Se a fraude se confirmar, convocarei uma marcha em massa", disse López Aliaga aos seguidores, a quem pediu que estivessem em alerta e se juntassem à "insurreição civil se a fraude for confirmada".
López Aliaga considerou que deveria estar em primeiro lugar, à frente da candidata de direita Keiko Fujimori (Fuerza Popular), filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), a quem criticou por se manter em silêncio.
"A única forma de travar a vontade popular foi através da fraude... é tão simples quanto isso", insistiu.
López Aliaga pediu também que as missões internacionais de observação eleitoral, como a União Europeia (UE) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), que endossaram o processo e o declararam transparente, apesar dos problemas com a distribuição do material e a abertura dos centros de votação, abandonem o país.
"Essas missões que vieram ao Peru da UE e da OEA, que se retirem do Peru de uma vez por todas. Vão-se embora, é preciso ser cego e cúmplice para não ver que o processo eleitoral no Peru foi violado de forma grave", disse o candidato.
Com cerca de 82% dos votos apurados, Keiko Fujimori lidera com 16,87% dos votos válidos, seguida de López Aliaga, com 12,32%; do centrista Jorge Nieto, com 11,5%; e do esquerdista Roberto Sánchez, com 11%.
A missão de observação eleitoral da UE no Peru considerou na terça-feira que as eleições gerais realizadas no domingo no país foram transparentes, afirmando não ter encontrado provas objetivas de fraude.
Apontou, contudo, a existência de "problemas graves" na distribuição do material eleitoral que levaram a atrasos significativos em algumas assembleias de voto e à extensão da jornada eleitoral até segunda-feira noutras.