Falta de acesso às instalações nucleares iranianas é uma "preocupação"

Falta de acesso às instalações nucleares iranianas é uma "preocupação"

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) indicou, num relatório confidencial consultado hoje pela AFP, que a falta de acesso para inspecionar material nuclear no Irão é a sua principal preocupação, pedindo a Teerão que "coopere construtivamente".

Lusa /

No entanto, a AIEA não observou qualquer atividade em instalações nucleares estratégicas, como Isfahan e Natanz, desde o início da guerra no Médio Oriente, no final de fevereiro de 2026, de acordo com imagens de satélite, afirmou uma fonte diplomática.

A Agência teve o acesso negado a certas instalações-chave no Irão desde que Israel, juntamente com os Estados Unidos, iniciou um conflito de doze dias em junho de 2025, durante o qual instalações nucleares foram atingidas.

Estas instalações também foram atingidas durante o conflito em curso. A AIEA solicitou repetidamente acesso a estes locais e, no seu relatório, afirmou que realizou uma inspeção esta semana na instalação nuclear de Bushehr, mas não em outras instalações.

Esta central foi construída e é operada com assistência russa para fins civis e também foi alvo de ataques na guerra.

"Embora a Agência tenha reconhecido que os ataques militares às instalações e locais nucleares iranianos criaram uma situação sem precedentes, é crucial que ela possa realizar suas atividades sem demora", afirmou o relatório.

"A falta de acesso, durante quase um ano, para verificar o urânio previamente declarado --- um atraso considerável em comparação com as práticas habituais --- é uma preocupação em termos de proliferação", segundo a mesma fonte.

O diretor-geral Rafael Grossi apela ao Irão para que "coopere construtivamente para facilitar a implementação plena e eficaz das salvaguardas", continua o texto.

O relatório será analisado na reunião do Conselho de Governadores da AIEA na próxima semana, em Viena, Áustria, na sede da Agência.

Antes dos ataques dos EUA em junho de 2025, a AIEA tinha calculado que o Irão possuía aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo dos 90% necessários para a fabricação de uma bomba.

Desde então, o destino dessa reserva permanece incerto, já que Teerão se recusa a permitir o acesso dos inspetores da AIEA aos locais danificados pelos ataques dos EUA e de Israel.

Israel e os Estados Unidos acusam o Irão de querer adquirir armas nucleares, com o presidente dos EUA, Donald Trump, a invocar essa ameaça para justificar tanto o conflito planeado de 12 dias em 2025 quanto a guerra em curso, desencadeada pelos ataques EUA-Israel em 28 de fevereiro.

Teerão negou repetidamente ter ambições militares, afirmando o direito à tecnologia nuclear para fins civis.

Tópicos
PUB