Famílias de presos políticos completam 100 dias de vigílias à porta de prisões venezuelanas

Famílias de presos políticos completam 100 dias de vigílias à porta de prisões venezuelanas

Familiares de presos políticos completaram este sábado 100 dias de vigílias em frente de prisões venezuelanas, onde aguardam a libertação dos familiares no âmbito do processo de amnistia iniciado em fevereiro.

Lusa /

Em 08 de janeiro, cinco dias após a captura do Presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o presidente do Parlamento e chefe das negociações do Governo, Jorge Rodríguez, anunciou a saída de um "número significativo de pessoas" como um "gesto unilateral" em prol da "paz e da convivência".

Cem dias depois - e dois meses após a aprovação da amnistia - os familiares afirmam que "continuam a imperar a mentira, o escárnio, o sofrimento e a revitimização", como afirmou este sábado Andreína Baduel, da organização não-governamental (ONG) Comité pela Liberdade dos Presos Políticos (CLIPP), no exterior do Rodeo I, uma prisão perto de Caracas.

A ativista referiu-se à prisão como um "centro de tortura" onde, "nos últimos dez dias, o tratamento cruel se intensificou".

Os familiares seguravam folhas com a inscrição "100 dias à espera de", seguida do nome do recluso, enquanto entoavam: "Justiça, justiça, justiça e liberdade. Todos são inocentes, nenhum é criminoso".

Baduel referiu que, embora sintam "uma dor e uma preocupação imensas", neste período "a fé, a resiliência e a dignidade fortaleceram-se".

"Hoje, mais do que nunca, estamos convencidos de que estamos a fazer o que é certo para salvar a vida dos nossos e não nos cansaremos de exigir a liberdade plena e imediata de todos os presos políticos, o fim da tortura e justiça", afirmou.

Também se completam 14 dias desde a "suspensão arbitrária de visitas" ao irmão da ativista, Josnars Baduel, filho de Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez e que morreu na prisão em 2021.

A jovem alertou que a vida do irmão "está em risco", em consequência das "torturas a que foi submetido", pelo que exige uma prova de vida e a libertação.

O Rodeo I foi o local de detenção de Nahuel Gallo, da força militar Gendarmaria Nacional Argentina, que foi libertado em março. Gallo descreveu o recinto como um "local de tortura psicológica".

A ONG Foro Penal, que lidera a defesa legal dos presos políticos, atualizou este sábado o número de detidos e indicou que estão neste momento 477 pessoas atrás das grades, das quais 111 estão no Rodeo I.

De acordo com dados oficiais, mais de oito mil pessoas foram amnistiadas.

As autoridades ainda não publicaram uma lista com as identidades dos amnistiados, apesar do pedido público do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

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