Famílias realizam vigília há sete meses para pedir a libertação de presos políticos na Venezuela

Famílias realizam vigília há sete meses para pedir a libertação de presos políticos na Venezuela

Familiares de presos políticos venzuelanos estão há sete meses a realizar uma vigília permanente junto da prisão de El Rodeo I, a 50 quilómetros a leste de Caracas, para reclamar pelas detenções e pedir que sejam libertados.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Ronald Peña R - EPA

A vigília, segundo o Comité pela Libertação dos Presos Políticos (Clippve), começou a 08 de janeiro de 2026 e rapidamente se converteu num espaço de solidariedade e resistência pacífica que se estendeu a outras prisões venezuelanas como Guaicaipuro, Ramo Verde, Tocorón e Tocuyito, entre outras.

Com velas que acesas desenham em número a contagem dos dias em vigília, e com cartazes e jornadas de oração, os familiares tentam dar visibilidade às centenas de casos de presos políticos. Este protesto também se fez sentir junto da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, onde, desde junho último, têm sido submetidas cartas solicitando a intervenção norte-americana pela libertação dos detidos.

Representantes do Clippve têm denunciado a jornalistas que apesar de as detenções arbitrárias terem acontecido desde há meses, em alguns casos desde há anos, o duplo sismo de 24 de junho de 2024 revelou a ausência de protocolos de evacuação, a falta de informação verificável sobre as pessoas detidas e a necessidade de avaliações técnicas, independentes, dos centros prisionais.

Os familiares exigem que o Estado venezuelano implemente medidas eficazes para proteger a vida, a saúde e integridade dos presos políticos e também a implementação de protocolos de emergência.

Pedem também que seja autorizado o acesso de organismos internacionais especializados aos centros de detenção, e que haja garantia de verdade, justiça e responsabilização, face a alegadas detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, mortes sob custódia e outras violações dos direitos humanos.

"Quando as suas vidas estão em risco sob custódia do Estado, a liberdade também é uma medida humanitária de proteção", afirma o Clippve na campanha `A liberdade também salva-vidas`, que propõe a liberdade como resposta humanitária perante situações em que, afirma, "a vida e integridade estão em risco".

Para assinalar os sete meses de vigília, a ONG Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos (PROVEA), convocou para 07 de agosto, uma concentração frente ao Ministério de Relações Exteriores, que terá ainda como motivo exigir que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e outros organismos possam verificar a situação dos presos políticos.

Segundo a Provea, "a crise dos direitos humanos que afeta a Venezuela agravou-se na sequência do duplo sismo de 24 de junho, com famílias que continuam sem resposta por parte do Estado e com pessoas privadas de liberdade em condições que ninguém conseguiu verificar de forma independente".

Dados divulgado pela ONG Fórum Penal dão conta que em 03 de agosto de 2026 estavam detidas 382 pessoas por motivos políticos na Venezuela, 356 homens e 26 mulheres. Do total de detidos, 222 são civis e 160 militares, todos adultos. Entre os detidos encontram-se 40 cidadãos com nacionalidade estrangeira.

Tópicos
PUB