Fed mantém taxas de juro inalteradas pela terceira vez consecutiva

Fed mantém taxas de juro inalteradas pela terceira vez consecutiva

A Reserva Federal (Fed) dos EUA manteve as suas principais taxas de juro inalteradas pela terceira vez consecutiva na quarta-feira, como esperado, citando a inflação "elevada" resultante "em parte do recente aumento dos preços globais da energia".

RTP /
Edifício da Reserva Federal dos Estados Unidos da América Kylie Cooper - Reuters

"Os acontecimentos no Médio Oriente estão a contribuir para um elevado grau de incerteza em relação às perspetivas económicas", enfatizou a Reserva Federal no seu comunicado.

Numa medida bastante invulgar, três membros do comité de política monetária votaram contra a decisão da Reserva Federal, não por se oporem à manutenção das taxas de juro actuais, mas por acreditarem que a instituição deveria ser menos propensa a reduzi-las no futuro.

No total, quatro membros do comité manifestaram a sua discordância: um (o presidente da Fed, Stephen Miran) por desejar um alívio monetário imediato, e os outros três (presidentes regionais da Fed) por discordarem da formulação do comunicado final.

Esta é a primeira vez desde 1992 que a Fed regista quatro votos contra, informou um porta-voz à imprensa.

As ações em Wall Street permaneceram em terreno negativo após a divulgação do comunicado. 

Os preços dos títulos do Tesouro de longo prazo subiram, enquanto os dos títulos de curto prazo desceram. Os mercados de futuros precificavam pouca probabilidade de um corte da taxa de juro por parte da Fed até ao final do ano.

Omair Sharif, presidente da empresa de previsões InflationInsights, disse numa nota aos clientes que a votação atribulada sobre a política monetária fazia algum sentido. 

"O novo comunicado aumentou a preocupação com a inflação", disse, acrescentando que "não é surpreendente" que alguns membros da Fed discordassem da decisão de manter uma postura de afrouxamento monetário, dadas as preocupações com a pressão inflacionista.

O presidente Donald Trump reagiu à decisão, dizendo aos jornalistas reunidos no Salão Oval da Casa Branca, que este seria "um bom momento para reduzir" as taxas de juro de referência dos EUA.
Powell despede-se

Esta terá sido a última reunião presidida por Jerome Powell, como presidente da Reserva Federal dos EUA, antes de o seu sucessor, escolhido por Donald Trump, assumir o comando de uma instituição dividida.

Powell termina o seu mandato em 15 de maio e vai ser substituído por Kevin Warsh, que tem vindo a defender cortes nas taxas, tal como o Presidente do EUA, Donald Trump, tem reivindicado. 

O Comité Bancário do Senado, controlado pelos republicanos, votou na quarta-feira a favor do encaminhamento da nomeação de Warsh, por 13 votos a 11, seguindo a linha partidária. 

A expectativa é que o Senado confirme Warsh no próximo mês.

Na conferência de imprensa habitual para explicar as decisões da FED, Jerome Powell felicitou o seu sucessor e revelou que vai manter-se como no conselho da instituição "por um tempo indeterminado", após terminar o seu mandato.

Realçou também a importância de ter uma Fed "livre de influência política".
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