Mundo
Ficheiros secretos Estado Islâmico podem não passar de fraude
Um porta-voz do Governo britânico declarou que Londres não foi, até agora, informada sobre as listas de combatentes jihadistas divulgadas esta quarta-feira pela cadeia britânica Sky News, e que o Governo está a estudar de que forma poderá "usar estas informações para lutar contra o Daesh (nome do grupo Estado Islâmico em árabe)".
A televisão britânica publicou quarta-feira à noite uma reportagem e um texto sobre estes documentos que, garante, divulgam as identidades, o paradeiro e os contactos de 22.000 jihadistas. Garante igualmente já ter entregado os ficheiros secretos do Daesh às autoridades.
A importância do "achado"
Além da Sky, também o diário alemão Süddeutsche Zeitung afirmou possuir listas dos combatentes germânicos do Daesh. A polícia federal alemã considerou estes documentos "provavelmente autênticos", não se pronunciando contudo sobre os ficheiros que a Sky afirma possuir.
O ministro alemão do interior, Thomas de Maizière, referiu por seu lado que os dados vão "permitir uma melhor compreensão da estrutura terrorista." E acrescentou que vão "acelerar os processos" judiciais contra pessoas suspeitas de quererem juntar-se ao Estado Islâmico, ou já seus membros.
A serem verdadeiros, a divulgação dos ficheiros - alegadamente roubados por um dissidente ao chefe dos serviços de segurança do grupo jihadista - poderá ser um golpe duro para a organização do Estado Islâmico, nomeadamente aos seus processos e rede de recrutamento.
Os documentos, que parecem ser formulários de recrutamento, na sua maior parte, incluem as respostas a 23 perguntas, desde o nome original e o nome adoptado por cada combatente, a sua filiação e quem o recrutou, grupo sanguíneo e nível de "compreensão da Sharia". A morada e os contactos telefónicos estão também incluídos.

Alguns dos nomes são de jihadistas já conhecidos e alguns até já morreram. Mas milhares de outros são desconhecidos, refere a Sky.
Alegadamente, todas estas informações poderão permitir aos serviços de contra-terrorismo desmantelar, pelo menos em parte, a rede mundial de recrutamento do Estado Islâmico. Irão também permitir às polícias e serviços de informação rastrear muitos jihadistas atualmente a viver no Ocidente e até agora desconhecidos e assim evitar novos atentados.
Dúvidas sobre a autenticidade do "achado"
Várias vozes, contudo, apontam falhas a este aparente filão.
O sítio Zaman Al Wasl, próximo da oposição síria, diz que também recebeu os ficheiros secretos do Estado Islâmico mas concluiu que, entre documentos repetidos, sobram somente cerca de 1.700 nomes, bem longe dos avançados pela Sky.
Por outro lado, muitos dos documentos parecem datar de 2013, o que poderá afetar a sua relevância.
A serem coincidentes os ficheiros divulgados no Reino Unido, na Alemanha e na Síria, terá ainda de ser perceber a sua autenticidade. Ao contrário da polícia alemã, alguns analistas sublinham inconsistências e incoerências no que já foi divulgado em fontes abertas como os jornais.
Por exemplo, o nome árabe "Estado Islâmico do Iraque e da Síria", um antigo nome do atual grupo Estado Islâmico, está escrito de duas formas diferentes e o dossier dos mortos usa a expressão "data do falecimento" em vez da habitual fraseologia jihadista do 'mártir'.
Muitos dos documentos divulgados misturam ainda entradas de dados em inglês com respostas escritas em árabe.
O jornalista e especialista em jihadismo, Wassim Nasr faz notar por seu lado, citado pela Agência France Presse (AFP), que muitas das informações já estão disponíveis desde há anos. E avança uma teoria: "Talvez certas informaçoes sejam verdadeiras e tenha sido realizada uma fraude documental para vender muito caro informação a vários actores."
Assim se justifica a prudência em relação a estes alegados "ficheiros secretos," declara Charlie Winter, investigador da universidade americana Georgia State. "Quando vi no passado estas incoerências, tratava-se de facto de uma trapalhada," garantiu à AFP.
A importância do "achado"
Além da Sky, também o diário alemão Süddeutsche Zeitung afirmou possuir listas dos combatentes germânicos do Daesh. A polícia federal alemã considerou estes documentos "provavelmente autênticos", não se pronunciando contudo sobre os ficheiros que a Sky afirma possuir.
O ministro alemão do interior, Thomas de Maizière, referiu por seu lado que os dados vão "permitir uma melhor compreensão da estrutura terrorista." E acrescentou que vão "acelerar os processos" judiciais contra pessoas suspeitas de quererem juntar-se ao Estado Islâmico, ou já seus membros.
A serem verdadeiros, a divulgação dos ficheiros - alegadamente roubados por um dissidente ao chefe dos serviços de segurança do grupo jihadista - poderá ser um golpe duro para a organização do Estado Islâmico, nomeadamente aos seus processos e rede de recrutamento.
Os documentos, que parecem ser formulários de recrutamento, na sua maior parte, incluem as respostas a 23 perguntas, desde o nome original e o nome adoptado por cada combatente, a sua filiação e quem o recrutou, grupo sanguíneo e nível de "compreensão da Sharia". A morada e os contactos telefónicos estão também incluídos.
Alguns dos nomes são de jihadistas já conhecidos e alguns até já morreram. Mas milhares de outros são desconhecidos, refere a Sky.
Alegadamente, todas estas informações poderão permitir aos serviços de contra-terrorismo desmantelar, pelo menos em parte, a rede mundial de recrutamento do Estado Islâmico. Irão também permitir às polícias e serviços de informação rastrear muitos jihadistas atualmente a viver no Ocidente e até agora desconhecidos e assim evitar novos atentados.
Dúvidas sobre a autenticidade do "achado"
Várias vozes, contudo, apontam falhas a este aparente filão.
O sítio Zaman Al Wasl, próximo da oposição síria, diz que também recebeu os ficheiros secretos do Estado Islâmico mas concluiu que, entre documentos repetidos, sobram somente cerca de 1.700 nomes, bem longe dos avançados pela Sky.
Por outro lado, muitos dos documentos parecem datar de 2013, o que poderá afetar a sua relevância.
A serem coincidentes os ficheiros divulgados no Reino Unido, na Alemanha e na Síria, terá ainda de ser perceber a sua autenticidade. Ao contrário da polícia alemã, alguns analistas sublinham inconsistências e incoerências no que já foi divulgado em fontes abertas como os jornais.
Por exemplo, o nome árabe "Estado Islâmico do Iraque e da Síria", um antigo nome do atual grupo Estado Islâmico, está escrito de duas formas diferentes e o dossier dos mortos usa a expressão "data do falecimento" em vez da habitual fraseologia jihadista do 'mártir'.
Muitos dos documentos divulgados misturam ainda entradas de dados em inglês com respostas escritas em árabe.
O jornalista e especialista em jihadismo, Wassim Nasr faz notar por seu lado, citado pela Agência France Presse (AFP), que muitas das informações já estão disponíveis desde há anos. E avança uma teoria: "Talvez certas informaçoes sejam verdadeiras e tenha sido realizada uma fraude documental para vender muito caro informação a vários actores."
Assim se justifica a prudência em relação a estes alegados "ficheiros secretos," declara Charlie Winter, investigador da universidade americana Georgia State. "Quando vi no passado estas incoerências, tratava-se de facto de uma trapalhada," garantiu à AFP.