Filipinas. Morrem 20% dos reclusos todos os anos

Filipinas. Morrem 20% dos reclusos todos os anos

O diretor do hospital de uma prisão de segurança máxima, nas Filipinas, afirmou esta quinta-feira que todos os anos morrem mais de cinco mil reclusos devido a doenças infecciosas. Segundo Ernesto Tamayo, a sobrelotação da New Bilibid Prison também agrava a situação.

RTP /
Cela de uma outra prisão, no México Reuters - Daniel Becerril

“A taxa de mortalidade é de 20 por cento”, revelou o diretor do hospital da prisão nacional de Bilibid, Ernesto Tamayo.

De acordo com o diretor do hospital, cerca de 5200 prisioneiros morrem todos os anos naquelas instalações devido a doenças altamente contagiosas como a tuberculose pulmonar.

Para além das mortes por causas naturais, as facadas também contribuem para a alta taxa de mortalidade na prisão de Bilibid.

Muitos deles morrem porque a maioria da comida já está estragada. Eles ficam fracos”, contou Godfrey Gamboa, um ex-recluso do principal estabelecimento prisional filipino, citado pelo Guardian.

Contudo, durante a 8ª audiência do Senado, realizada na quinta-feira, Ernesto Tamayo contestou a falta de condições causadas pela superlotação da prisão.

O estabelecimento prisional de Bilibid, em Muntinlupa, a poucos quilómetros a sul de Manila, tem capacidade para cerca de 17 mil reclusos. No entanto, a New Bilibid Prison conta com cerca de 26 mil prisioneiros.

Segundo adiantou a Rappler, agência noticiosa das Filipinas, Ernesto Tamayo ainda tentou defender, perante os senadores, a lei de Boa Conduta que permite a libertação antecipada de prisioneiros por comportamento positivo.

No entanto, o Presidente do Senado parece não ter concordado com a reivindicação do diretor da ala hospitalar. Assim “não precisamos mais da pena de morte”, ressalvou Vicente Sotto II.
Médico suspenso
No dia 12 de setembro, um dos médicos da ala hospitalar da prisão de segurança máxima foi acusado de aceitar subornos dos prisioneiros.

O ex-presidiário Jose Galario Jr alegou que alguns reclusos pagavam a Ursicio Ceñas para ficarem longe das áreas prisionais e passarem mais tempo no hospital.

Na terça-feira, a senadora Risa Hontiveros confrontou o médico em questão e perguntou sobre a condição médica de todos os reclusos que foram internados no hospital.

Ursicio Ceñas respondeu que alguns dos presos tinham doenças como diabetes meliitus – hiperglicemia -, asma brônquica e problemas cardíacos.

No entanto, a senadora não ficou convencida e contestou a veracidade da alegação.

“O problema é que, de acordo com o prefeito Galario, os condenados receberam um passe hospitalar para uma estadia prolongada mesmo que não tivessem uma condição médica como a referida”, respondeu a senadora.

No final do interrogatório, o médico admitiu que tinha emitido alguns atestados médicos e senadora ordenou que a sua licença médica fosse suspensa por conduta não profissional.
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