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Filipinas. Presidente causa polémica com declarações ofensivas sobre as mulheres
O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, proferiu um discurso polémico na segunda-feira durante um evento destinado a homenagear mulheres das forças de segurança e militares.
“Cadelas, vocês mulheres querem privar-me da minha liberdade de expressão. Criticam cada palavra que eu digo, mas isto é a minha liberdade de expressão. Não o façam, mulheres malucas”, foi assim que o convidado de honra, Rodrigo Duterte, se dirigiu à sua plateia, no evento Mulheres de Destaque na Aplicação da Lei e na Segurança Nacional.
O presidente das Filipinas também usou o discurso de segunda-feira para demonstrar, num tom irónico, a sua admiração pelas mulheres: “Eu amo as mulheres. É por isso que tenho duas esposas. Isso prova que eu gosto de mulheres”. A plateia, composta maioritariamente por mulheres, reagiu com silêncio a este discurso.
Estas declarações foram alvo de várias críticas, principalmente por parte das mulheres.
Um historial de comentários machistas
Duterte tem um historial de comentários contra as mulheres, e este discurso é o exemplo mais recente.
Em 2016, ao referir uma revolta prisional de 1989 em que uma missionária australiana foi morta, Duterte gracejou que, tal como tinham feito os prisioneiros sublevados, também ele gostaria de ter estado na fila para a violar.
Um ano depois, o presidente foi criticado por defender o machismo e a misoginia, após ter ordenado os soldados a disparar contra rebeldes comunistas na vagina. Mais tarde, no mês de junho de 2018, durante um dos seus discursos beijou uma mulher casada nos lábios.
Duterte e as críticas da Igreja
Os católicos têm sido das vozes mais ativas da sociedade filipina a denunciar os abusos cometidos no âmbito da campanha anti-drogas, iniciada por Duterte, que já provocou milhares de mortos.
Em dezembro de 2018, Duterte apelou abertamente ao assassinato de padres “inúteis”.