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Foi encontrada a alemã de 96 anos que fugiu antes de ser julgada por crimes nazis
Irmgard Furchner, de 96 anos, fugiu na quinta-feira e faltou à primeira sessão do seu julgamento, estando acusada de cumplicidade na morte de milhares de judeus, num tribunal alemão. A idosa ainda esteve várias horas desaparecida mas acabou por ser encontrada e, por ordem judicial, detida.
"Posso dizer que a arguida foi encontrada. Um médico vai estabelecer se esta poderá ser colocada em detenção e o tribunal vai determinar se o mandado de prisão poderá ser executado ou não", disse a porta-voz do tribunal de Itzehoe, Frederike Milhoffer numa conferência de imprensa.
A alemã de 96 anos, que enfrenta acusações por ajudar e incitar ao assassinato de milhares de prisioneiros de campos de concentração nazis foi detida pelas autoridades após fugir do lar de idosos onde reside, na quinta-feira, no dia em que o seu julgamento ia começar. A acusada "deixou o lar durante a manhã, apanhou um táxi" e desapareceu, disse a porta-voz. A idosa vivia perto de Hamburgo, cidade de onde terá saído de metro.
A ex-secretária do comandante do campo de concentração de Stutthof acabou por ser "encontrada" horas depois. Após a fuga, antes da primeira audiência do seu julgamento, o tribunal emitiu um mandado de prisão contra a mulher, de 96 anos, que foi encontrada várias horas depois do seu desaparecimento.
Não foi esclarecido para onde Furchner tentava dirigir-se quando decidiu fugir e faltar ao julgamento, mas segundo o New York Times, vai ser alvo de exames médicos.
Suspeita "não queria comparecer" em tribunal
A alemã é uma antiga funcionária das SS, uma das forças militarizadas utilizadas por Adolf Hitler e trabalhou no campo de concentração de Stutthof, perto de Itzehoe, entre os anos de 1943 e 1945, em plena Segunda Guerra Mundial.
Irmgard Furchner, que foi secretária no campo de concentração de Stutthof, na Polónia, quando tinha 18 anos, não compareceu no tribunal, e já tinha "anunciado que não queria comparecer" no tribunal. No entanto, devido à sua idade e condição física, não se esperava que "evitasse ativamente o julgamento", esclareceu Frederike Milhoffer.
Irmgard Furchner escreveu ao juiz a pedir para ser julgada sem estar presente, o que não é permitido pela lei alemã. O tribunal respondeu ao pedido advertindo que teria de enfrentar consequências legais se não comparecesse em tribunal no dia julgamento.
Antes de dar início ao processo, o tribunal determinou que a alemã de 96 anos não teria condições para aguentar um processo judicial durante um dia inteiro e concordou em realizar sessões mais curtas, embora a suspeita tenha sido classificada como fisicamente apta para ser julgada.
Antes de dar início ao processo, o tribunal determinou que a alemã de 96 anos não teria condições para aguentar um processo judicial durante um dia inteiro e concordou em realizar sessões mais curtas, embora a suspeita tenha sido classificada como fisicamente apta para ser julgada.
A mulher é acusada de auxiliar o assassinato em 11.387 pessoas e de cumplicidade em sete casos de tentativa de homicídio. Está a ser julgada por um tribunal de menores porque tinha 18 anos quando começou a trabalhar no campo. De acordo com a imprensa alemã, este poderá ser o último julgamento sobre crimes nazis na Alemanha.
O caso contra Furchner baseia-se no precedente legal alemão estabelecido em casos julgados ao longo da última década de que qualquer pessoa que tenha ajudado a manter os campos de extermínio e de concentração nazi a funcionar pode ser processada como cúmplice dos assassínios cometidos ali, mesmo sem evidências de participação num crime específico. Os procuradores argumentam que a idosa fazia parte do aparelho que ajudou o campo de concentração nazi a funcionar durante a Segunda Guerra Mundial, há mais de 75 anos.
O caso contra Furchner baseia-se no precedente legal alemão estabelecido em casos julgados ao longo da última década de que qualquer pessoa que tenha ajudado a manter os campos de extermínio e de concentração nazi a funcionar pode ser processada como cúmplice dos assassínios cometidos ali, mesmo sem evidências de participação num crime específico. Os procuradores argumentam que a idosa fazia parte do aparelho que ajudou o campo de concentração nazi a funcionar durante a Segunda Guerra Mundial, há mais de 75 anos.