França considerou traição os contactos do Governo da Hungria com a Rússia

França considerou traição os contactos do Governo da Hungria com a Rússia

Budapeste, 09 abr 2026 (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros francês considerou traição as ações do executivo da Hungria referindo-se aos contactos telefónicos entre o chefe da diplomacia húngaro e o homólogo russo.

Lusa /
Jean-Noel Barrot, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês | Olivier Hoslet - EPA

"Esta é uma traição à solidariedade essencial entre os países da União Europeia", declarou hoje Jean-Noel Barrot à rádio France Inter.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Peter Szijjarto, prometeu repetidamente fornecer ao homólogo russo, Sergey Lavrov, documentos internos da União Europeia.

Na quarta-feira foram divulgadas novas gravações de contactos entre os ministros dos dois países.

As gravações publicadas pelo VSquare, FrontStory, Delfi Estonia, The Insider e pelo Centro Ján Kuciak de Jornalismo de Investigação da Hungria, registaram as conversas entre os dois ministros entre dezembro de 2023 e agosto de 2025.

"Estas gravações revelam que, entre outras coisas, Szijjarto entregou documentos da União Europeia a Lavrov", afirmou Szabolcs Panyi, editor da publicação húngara VSquare.

O Governo húngaro, liderado por Viktor Orbán, é o aliado mais próximo de Moscovo na Europa.

Panyi, especialista em segurança nacional e espionagem, já tinha publicado em março a transcrição de uma chamada telefónica de 2020 na qual Szijjarto pedia a Lavrov apoio para um aliado político, o que demonstraria a coordenação entre Budapeste e Moscovo em questões internacionais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria não negou ter contactado Lavrov e afirmou que as conversas apenas demonstram que "a Hungria defende firmemente a paz", mas não se referiu a nenhuma conversa ou conteúdo específico.

Orbán reconheceu na quarta-feira que conversou com Vladimir Putin, depois de a agência Bloomberg ter revelado uma conversa em que o primeiro-ministro húngaro se colocou "inteiramente ao serviço" do Presidente russo.

Szijjarto afirmou que a divulgação as gravações áudio constituiu "interferência dos serviços de informações estrangeiros nas eleições parlamentares" que a Hungria realiza no próximo domingo.

As sondagens indicam a possível derrota de Orbán para o conservador Peter Magyar.

 

 

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