Fujimori mantém vantagem em eleições no Peru após rejeição de recurso do rival
Um júri eleitoral do Peru rejeitou na terça-feira, por improcedente, o pedido do candidato presidencial de esquerda, Roberto Sánchez, para anular os votos no exterior da segunda volta presidencial frente à candidata de direita Keiko Fujimori.
A resolução refere-se às mesas de votação sob responsabilidade das repartições consulares na África, América do Norte, América Central e Caribe, América do Sul, Ásia e Médio Oriente, Europa e Oceânia, precisou um comunicado do Jurado Nacional de Eleições (JNE).
A autoridade máxima eleitoral esclareceu que o pedido de nulidade foi apresentado fora de prazo e sem o pagamento da taxa eleitoral por parte do partido Juntos pelo Peru, liderado por Sánchez, incumprindo assim a normativa eleitoral.
Na sua resolução, o júri eleitoral especial exortou o representante legal de Juntos pelo Peru a adequar a sua conduta respeitando os princípios de colaboração, boa-fé e celeridade, para dar a máxima dinâmica possível aos trâmites eleitorais e evitar atuações que atrasem o seu desenvolvimento.
Sánchez declarou que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori e assegurou que houve uma "grave afetação do processo eleitoral", sobretudo no voto no exterior.
Segundo afirmou, irregularidades administrativas e na conservação do material eleitoral teriam afetado o sufrágio fora do país, que representa cerca de 300.000 votos e beneficiou amplamente a sua rival.
De acordo com Sánchez, excluindo os votos emitidos fora do território nacional, teria uma vantagem de cerca de 25.000 votos sobre Keiko Fujimori.
Outro pedido de anulação de mesas de sufrágio em várias cidades dos Estados Unidos, França e Espanha, apresentado por uma cidadã peruana, também foi declarado improcedente por extemporâneo, falta de legitimidade da requerente e ausência de pagamento da taxa, indicou o tribunal eleitoral.
Os percentuais do escrutínio invertem-se se forem retirados os votos do exterior, caso em que Sánchez alcança 50,11% dos válidos, com mais 38.007 sufrágios do que a filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que regista 49,88%.
Fujimori lidera com mais de 43.000 votos, num universo superior a 19 milhões de sufrágios contabilizados. Restam 131 atas por apurar, representando cerca de 39.300 votos, número insuficiente para que Sánchez consiga recuperar.
O partido da candidata de direita, Fuerza Popular, indicou que aguardará o apuramento completo antes de se proclamar vencedor.
Uma missão da União Europeia considerou que a segunda volta decorreu de forma "calma e ordenada", apesar de uma campanha fortemente polarizada.
A segunda volta de 07 de junho resultou numa das disputas mais renhidas da história recente da América Latina, com os dois candidatos a alternarem na liderança da contagem até que Keiko Fujimori foi consolidando a vantagem.
O escrutínio era particularmente aguardado num país marcado por forte instabilidade política. Desde 2016, oito presidentes sucederam-se na chefia do Peru, em meio a crises institucionais repetidas.