Mundo
Funcionários de escola de Paris investigados por suspeitas de abusos sexuais de menores
O tema está a abalar a França: o Ministério Público de Paris está a investigar alegados casos de violência, agressões sexuais e violações em jardins-de-infância, escolas primárias e creches, em vários bairros da capital francesa.
Houve mais de 100 denúncias por maus-tratos por parte de "monitores" de vários estabelecimentos infantis. As autoridades francesas estão, por isso, a investigar centenas de casos suspeitos de violência física, agressões sexuais e violações.
Os alegados agressores serão monitores de creches, infantários e até algumas escolas primárias, durante os intervalos de almoço, hora da sesta e em atividades extracurriculares. Os casos denunciados terão acontecidos em diversos bairros parisienses.
“Temos investigações a decorrer em 84 infantários, cerca de 20 escolas primárias e cerca de dez creches”, disse a procuradora-chefe de Paris, Laure Beccuau, numa conferência de imprensa.
Já na semana passada, Beccuau tinha confirmado que, ao “nível dos processos judiciais, tivemos três aberturas de instrução e cinco notificações para comparência perante o tribunal criminal”.
Advogados citados pelo Guardian indicam que estas investigações incluem acusações de violação de crianças de apenas três e quatro anos de idade.
Organizações de pais têm denunciado os casos há anos, lamentando que as queixas não tenham sido levadas a sério, assim como as falhas no processo de recrutamento e na verificação dos monitores escolares que permitiram que os abusos continuassem.
“É um escândalo enorme”, afirmou ao jornal britânico Florian Lastelle, advogado de três famílias parisienses que registaram queixas na polícia sobre os supostos abusos. “O sistema de ensino público é motivo de orgulho neste país, mas infelizmente, na França de hoje, não se pode dizer que o serviço público garanta a segurança das crianças”.
Os casos de violência nas escolas primárias e estabelecimentos pré-escolares na capital francesa ganharam grande notoriedade em janeiro, quando uma jornalista da France 2 se infiltrou como trabalhadora nas atividades extracurriculares de um jardim-de-infância do 7.º “arrondissement” (bairro) de Paris, a escola Saint-Dominique.
"Disfunções por parte do Estado"
Os monitores escolares são os responsáveis pelas crianças durante o almoço, no recreio, nas sestas e atividades extracurriculares, por vezes passando mais tempo com os menores do que os professores ou educadores de infância. Contudo, não são contratados diretamente pelas escolas ou pelo Ministério da Educação, mas sim recrutados pela autarquia ou autoridades locais – frequentemente sem formação ou diplomas profissionais e, cada vez mais, em regime temporário, sendo muitos remunerados por hora.
Na França, a frequência da pré-escola é obrigatória a partir dos três anos de idade, e os monitores escolares são uma presença diária essencial para crianças de três a 11 anos.
As acusações têm sido relatadas por pais em todo o país e incluem crianças a serem maltratadas, empurradas, com os cabelos puxados, privadas de comida, forçadas a comer até vomitar e a serem agredidas sexualmente ou mesmo violadas.
Começa na próxima semana, em Paris, o julgamento de uma monitora escolar acusada de abusar sexualmente de cinco crianças com idades entre três e cinco anos, numa creche no 11º arrondissement. Espera-se um veredicto no próximo mês num outro caso,no qual uma monitora escolar de 47 anos é acusada de abusar sexualmente de nove meninas de 10 anos em Paris.
O grupo de pais SOS Périscolaire tem estado na vanguarda da recolha de depoimentos e da luta por justiça nos últimos cinco anos, num esforço para dar voz aos pais. Uma das fundadoras, Anne, que preferiu não divulgar o nome completo, afirmou que o escândalo de abusos é um problema nacional: “É claramente um problema sistémico que ocorre em toda a França”.
“Há disfunções não apenas a nível municipal, mas também começamos a perceber disfunções por parte do Estado”.
A mesma responsável pela organização considerou que é um bom sinal que os promotores tivessem aberto investigações sobre os monitores escolares: "Finalmente, os relatos dos pais e das crianças estão a ser levados a sério”.
Também um porta-voz de outro grupo de pais, o #MeTooEcole , criado na zona leste de Paris, congratulou-se por a sociedade francesa estar “a abrir os olhos para o facto de a escola não ser o santuário que pensávamos”.
“Quando se deixa uma criança na escola de manhã, essa criança não está absolutamente protegida contra disfunções administrativas e comportamentos pedófilos. As crianças estão a ser confrontadas com todas as formas de violência: desde violência verbal e física ao abuso sexual. É horrível e está a gerar medo. Os pais estão indignados”.
Os alegados agressores serão monitores de creches, infantários e até algumas escolas primárias, durante os intervalos de almoço, hora da sesta e em atividades extracurriculares. Os casos denunciados terão acontecidos em diversos bairros parisienses.
“Temos investigações a decorrer em 84 infantários, cerca de 20 escolas primárias e cerca de dez creches”, disse a procuradora-chefe de Paris, Laure Beccuau, numa conferência de imprensa.
Já na semana passada, Beccuau tinha confirmado que, ao “nível dos processos judiciais, tivemos três aberturas de instrução e cinco notificações para comparência perante o tribunal criminal”.
Advogados citados pelo Guardian indicam que estas investigações incluem acusações de violação de crianças de apenas três e quatro anos de idade.
Organizações de pais têm denunciado os casos há anos, lamentando que as queixas não tenham sido levadas a sério, assim como as falhas no processo de recrutamento e na verificação dos monitores escolares que permitiram que os abusos continuassem.
“É um escândalo enorme”, afirmou ao jornal britânico Florian Lastelle, advogado de três famílias parisienses que registaram queixas na polícia sobre os supostos abusos. “O sistema de ensino público é motivo de orgulho neste país, mas infelizmente, na França de hoje, não se pode dizer que o serviço público garanta a segurança das crianças”.
Os casos de violência nas escolas primárias e estabelecimentos pré-escolares na capital francesa ganharam grande notoriedade em janeiro, quando uma jornalista da France 2 se infiltrou como trabalhadora nas atividades extracurriculares de um jardim-de-infância do 7.º “arrondissement” (bairro) de Paris, a escola Saint-Dominique.
"Disfunções por parte do Estado"
Os monitores escolares são os responsáveis pelas crianças durante o almoço, no recreio, nas sestas e atividades extracurriculares, por vezes passando mais tempo com os menores do que os professores ou educadores de infância. Contudo, não são contratados diretamente pelas escolas ou pelo Ministério da Educação, mas sim recrutados pela autarquia ou autoridades locais – frequentemente sem formação ou diplomas profissionais e, cada vez mais, em regime temporário, sendo muitos remunerados por hora.
Na França, a frequência da pré-escola é obrigatória a partir dos três anos de idade, e os monitores escolares são uma presença diária essencial para crianças de três a 11 anos.
As acusações têm sido relatadas por pais em todo o país e incluem crianças a serem maltratadas, empurradas, com os cabelos puxados, privadas de comida, forçadas a comer até vomitar e a serem agredidas sexualmente ou mesmo violadas.
Começa na próxima semana, em Paris, o julgamento de uma monitora escolar acusada de abusar sexualmente de cinco crianças com idades entre três e cinco anos, numa creche no 11º arrondissement. Espera-se um veredicto no próximo mês num outro caso,no qual uma monitora escolar de 47 anos é acusada de abusar sexualmente de nove meninas de 10 anos em Paris.
O grupo de pais SOS Périscolaire tem estado na vanguarda da recolha de depoimentos e da luta por justiça nos últimos cinco anos, num esforço para dar voz aos pais. Uma das fundadoras, Anne, que preferiu não divulgar o nome completo, afirmou que o escândalo de abusos é um problema nacional: “É claramente um problema sistémico que ocorre em toda a França”.
“Há disfunções não apenas a nível municipal, mas também começamos a perceber disfunções por parte do Estado”.
A mesma responsável pela organização considerou que é um bom sinal que os promotores tivessem aberto investigações sobre os monitores escolares: "Finalmente, os relatos dos pais e das crianças estão a ser levados a sério”.
Também um porta-voz de outro grupo de pais, o #MeTooEcole , criado na zona leste de Paris, congratulou-se por a sociedade francesa estar “a abrir os olhos para o facto de a escola não ser o santuário que pensávamos”.
“Quando se deixa uma criança na escola de manhã, essa criança não está absolutamente protegida contra disfunções administrativas e comportamentos pedófilos. As crianças estão a ser confrontadas com todas as formas de violência: desde violência verbal e física ao abuso sexual. É horrível e está a gerar medo. Os pais estão indignados”.