Fuzileiros portugueses regressam ao ex-Zaire oito anos depois

Fuzileiros portugueses regressam ao ex-Zaire oito anos depois

O Destacamento de Acções Especiais (DAE) dos fuzileiros da Marinha portuguesa regressam sexta-feira à República Democrática do Congo (RDCongo, ex-Zaire), oito anos depois da sua última missão naquele país, para retirar cidadãos portugueses.

Agência LUSA /

Desta vez os fuzileiros da DAE voltam à RDCongo integrados na força de intervenção rápida da missão militar da União Europeia (UE) destacada para apoiar os capacetes azuis da ONU no país (MONUC) durante o processo eleitoral.

Apesar de ser a primeira vez que vão incluídos numa força europeia, os fuzileiros portugueses têm, contudo, experiência em teatros africanos, tendo realizado missões em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

"É a primeira vez que vamos integrados numa força europeia", afirmou hoje à Agência Lusa o comandante deste grupo de 30 de fuzileiros, que vai ficar estacionado em Port-Gentil no Gabão, sob comando directo do quartel-general situado em Postdam, na Alemanha.

Sobre a forma como os fuzileiros vão actuar no terreno, o comandante explicou que vão estar divididos em dois grupos, "um de reconhecimento especial e outro de acção directa".

O grupo de reconhecimento especial terá como objectivo recolher informações no terreno, a maior parte das vezes sem estarem fardados.

O grupo de acção directa fará missões de resgate, captura ou destruição.

Estes homens, que transportam consigo cerca de 50 quilogramas de equipamento, estão preparados para intervir a qualquer momento, por terra, ar e mar.

Além dos fuzileiros portugueses, fazem parte deste "task group" de operações especiais franceses (150) e suecos (50), num total de 230 militares.

Os soldados vão estar durante quatro meses no terreno apoiados por um C-130 e 16 militares da Força Aérea, que vão operar o avião.

Questionados sobre se está previsto intervirem em caso de retirada dos cerca de 1000 portugueses que residem na RDCongo, o comandante explicou que essa tarefa terá sempre que ser integrada no âmbito missão militar da UE, explicando que a Embaixada de Portugal em Kinshasa, capital do país, tem um plano de evacuação.

Os fuzileiros portugueses partem sexta-feira à noite do aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa, para o Gabão, onde vão reunir-se aos restantes membros da equipa que já se encontram no terreno para reconhecimento.

A missão militar da UE, que dará apoio aos 17.000 capacetes azuis da MONUC, é composta por cerca de 2.000 homens de nacionalidade alemã, francesa, espanhola, polaca, portuguesa, sueca, belga, italiana, grega e britânica.

Comandados a partir de Potsdam, na Alemanha, 1200 soldados vão estar em Kinshasa, enquanto os restantes 800 da força de intervenção rápida ficam estacionados no Gabão e só actuam em caso de "derrapagem nas eleições", segundo o ministro da Defesa alemão, Franz Josef Jung.

A cerca de duas semanas das eleições gerais na RDCongo, as primeiras desde da independência do país da Bélgica, a 30 de Junho de 1960, têm-se registado confrontos na capital na sequência de manifestações sobre alegadas irregularidades na campanha eleitoral.

Em outras províncias da RDCongo, ainda se registam ataques de forças rebeldes, mas as forças internacionais estão determinadas a realizar as eleições de 30 de Julho, para iniciar o processo de transição democrática no país.

A guerra civil na RDCongo começou em Agosto de 1998 entre dois grupos rebeldes, apoiados pelo Ruanda, Uganda e Burundi, e as forças governamentais, apoiadas pelos exércitos angolano, namibiano e zimbabueano.

O conflito, que durou quatro anos, provocou cerca de três milhões de mortos e mais de quatro milhões de deslocados.

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