Gabinete de Netanyahu dividido após ataque contra a Cisjordânia

Gabinete de Netanyahu dividido após ataque contra a Cisjordânia

A operação militar israelita posta em marcha na Cisjordânia está a dividir o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. As vozes mais radicais, que se fizeram ouvir ao final do dia de ontem, logo após a descoberta dos corpos dos três jovens colonos israelitas desaparecidos em meados de junho, estão a merecer a oposição do próprio chefe das Forças Armadas Israelitas. Cai por terra a aparente ideia de unanimidade em torno da resposta em força contra o Hamas, apontado como responsável pelo triplo homicídio, unanimidade que tem sido a marca das decisões de Telavive quando é colocada em causa a segurança nacional de Israel.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Os alvos dos ataques desta madrugada foram preferencialmente as casas de membros do Hamas que Telavive acusa de ser responsável pelas três mortes Ammar Awad, Reuters

A edição online do diário “Haaretz” dá conta de uma cisão na cúpula de Benjamin Netanyahu que terá tomado forma durante uma reunião do seu gabinete já esta terça-feira. À solução de uma resposta em força, ataques punitivos que foram lançados durante a noite contra os palestinianos que vivem nos territórios ocupados, vários membros que participavam nesta reunião pediram uma abordagem “sã e moderada”. É o caso do próprio chefe das Forças Armadas, Benny Gantz, que deixou esse perdido aos ministros do executivo israelita.

Telavive reabriu esta madrugada a cartilha de Talião para responder aos assassinatos dos três jovens palestinianos que desapareceram a meio do mês de junho, depois de terem sido vistos pela última vez a pedir boleia junto da localidade palestiniana de Hebron. Foram encontrados os corpos dos três adolescentes israelitas raptados na Cisjordânia. Os jovens estavam desaparecidos há mais de duas semanas. O primeiro-ministro do Estado hebraico, Benjamin Netanyahu, responsabiliza o Hamas e promete punir o movimento palestiniano. Com este caso surgem receios de uma nova escalada da violência na região.

O primeiro-ministro Netanyahu foi de imediato acompanhado por outros responsáveis na responsabilização do Hamas. O chefe do executivo prometeu uma resposta à altura e vozes mais radicais exigiram um castigo exemplar.

Numa das primeiras reacções à descoberta dos cadáveres, o vice-ministro da Defesa Danny Danon pediu a destruição do Hamas.

Citado pelo “Haaretz”, Danon sustentava ontem que “este trágico fim deve ser também o fim do Hamas! A nação [israelita] é suficientemente forte para absorver [ataques] que sejam o preço de um golpe mortal contra o Hamas”.

“Temos de destruir as casas de activistas do Hamas, encontrar os seus arsenais em todo o lado, parar o fluxo de dinheiro que direta ou indiretamente mantém vivo o terror e fazer toda a liderança palestiniana pagar um elevado preço”, acrescentou.

Nesta linha da punição colectiva, a vice-ministra Tzipi Hotovely afirmou que “os desprezíveis rapto e assassínio dos estudantes não podem passar em silêncio e os que em Gaza são responsáveis têm de pagar o preço. O Governo de Israel deve declarar guerra de morte ao Hamas, que é responsável pelos assassínios”.

Esta responsável ligada ao Likud conclui que Israel “deve regressar à política de assassínios selectivos”. Foi com estes planos debaixo do braço que a aviação israelita atacou o sul da Cisjordânia durante a madrugada. A ofensiva provocou pelo menos um morto.

O ministro da Economia Naftali Bennett, jovem falcão que é também líder dos ultranacionalistas do Bait Yehudi, diria durante a reunião desta terça-feira que a resposta deixada pelas bombas israelitas durante a madrugada foi “muito débil, uma autêntica desgraça”.
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