Gana apela ao reconhecimento do sofrimento das mulheres escravizadas

Gana apela ao reconhecimento do sofrimento das mulheres escravizadas

O Presidente ganês, apelou hoje, numa conferência de alto nível em Acra, ao reconhecimento do sofrimento das mulheres escravizadas.

Lusa /

"Qualquer estrutura para a busca da verdade, comemoração, justiça restaurativa ou responsabilização histórica que não reconheça a experiência específica das mulheres permanecerá incompleta", afirmou John Dramani MahamaMahama, num discurso proferido na conferência que procura dar seguimento à resolução da ONU que declarou a escravatura transatlântica o crime mais grave contra a humanidade.

Mahama explicou que as mulheres e raparigas escravizadas sofreram formas de exploração que iam para além do trabalho forçado e que a sua capacidade de gerar filhos foi utilizada para perpetuar a escravatura durante gerações, motivo para concluir que um processo que não reconheça estas experiências "não fará justiça".

Para o presidente ganês, a próxima etapa do processo de reparações reconhecido pela ONU deverá incluir medidas práticas como a investigação, a educação, a comemoração, a restituição e parcerias mais fortes entre África, a diáspora africana e a comunidade internacional.

"A história não nos pede para herdar culpa, mas sim responsabilidade", enfatizou Mahama.

A resolução proposta pelo Gana recebeu 123 votos a favor e três contra (Estados Unidos, Israel e Argentina) na Assembleia Geral da ONU, a 25 de março. E registou 52 abstenções, incluindo as de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido, bem como da maioria das nações europeias.

A resolução identifica "o tráfico transatlântico de escravos e a escravatura racializada de africanos" como o crime máximo devido à "rutura definitiva que representou na história mundial, à sua magnitude, duração, natureza sistémica, brutalidade e consequências duradouras que continuam a moldar a vida de todas as pessoas através de regimes racializados de trabalho, propriedade e capital".

Embora o tráfico transatlântico de escravos tenha terminado no século XIX, a "escravatura moderna" persiste hoje, manifestando-se no trabalho forçado, no tráfico de pessoas, no casamento forçado, na exploração infantil e na servidão imposta pelo Estado.

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