Ganhos económicos de 2025 em África em risco devido à guerra no Médio Oriente diz FMI
O diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), Abebe Aemro Selassie, disse hoje que os ganhos conseguidos pelos países africanos em 2025 estão em perigo devido "à gravidade" das consequências da guerra no Médio Oriente.
"O ano de 2025 foi de ganhos em termos de estabilização macroeconómica, foi muito trabalhoso e os decisores políticos merecem crédito por isso, mas os ganhos estão sob pressão devido a este grande choque externo" [da guerra no Médio Oriente], disse o responsável do departamento africano do FMI.
"A gravidade deste choque externo terá impacto em várias áreas da governação, desde as finanças públicas até às famílias", afirmou, recordando que "afeta os transportes, o turismo, as remessas, as condições financeiras e os preços dos combustíveis, alimentos e fertilizantes, principalmente para os importadores de petróleo".
Na sua última conferência de imprensa, já que deixa o atual cargo em maio, o diretor do departamento africano do FMI disse que a inflação deverá subir para 5% no final do ano se a guerra continuar no Médio Oriente.
"As consequências humanas serão severas", apontou Selassie, salientando que este choque externo surge depois de uma década de sucessivos choques, desde a subida dos preços do petróleo até à guerra na Ucrânia, passando pela pandemia de covid-19 e pelos efeitos das alterações climáticas.
Ainda assim, afirmou, "os países africanos mostraram grande resiliência em tempos de crise após crise, e os ganhos merecem ser defendidos, por isso as políticas que foram implementadas agora vão definir o rumo para o futuro".
Entre as medidas defendidas, o FMI considera que é fundamental que os países que recebam mais receitas da exportação de petróleo usem esse excedente para fortalecer as reservas, ao mesmo tempo que canalizam uma parte para ajudar as populações mais vulneráveis.
Num cenário de crescentes pressões sobre a sustentabilidade da dívida, Selassie rejeitou a ideia de uma nova Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), lançada em abril de 2020, e disse que o objetivo é ter conversas individuais com os países para melhorar a governação económica.
A atividade económica acelerou, em 2025, de forma generalizada em todos os grupos de países, com o crescimento regional estimado em cerca de 4,5%, "o mais rápido da última década, refletindo fatores externos favoráveis e boas políticas, particularmente em várias grandes economias", disse Selassie na apresentação do relatório sobre as economias da África subsaariana.
MBA // ANP
Lusa/Fim