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Golpe militar leva ao exílio do presidente Manuel Zelaya

Golpe militar leva ao exílio do presidente Manuel Zelaya

Um grupo de militares levou hoje a cabo um golpe de Estado nas Honduras por ordem do Supremo Tribunal. Os soldados prenderam o presidente Manuel Zelaya na sua residência, levaram-no para uma base aérea de onde seguiu para a Costa Rica. Em causa está um referendo que deveria ter lugar hoje naquele país sobre reformas na Constituição.

RTP /
Militares tomaram conta do poder nas Honduras. Gustavo Amador/EPA

O Presidente Manuel Zelaya já se encontra na Costa Rica depois de um grupo de militares o ter detido e levado para o exílio por ordem do Supremo Tribunal que admitiu já esta tarde ter sido por sua ordem a detenção do Chefe de Estado.

O Tribunal diz que agiu em nome da lei e da ordem porque o Presidente se preparava para organizar um referendo considerado ilegal.

Um grupo de militares prendeu o presidente das Honduras, segundo informou o seu secretário pessoal, pouco antes de se iniciar no país uma consulta popular com a intenção de introduzir alterações na Constituição que levariam a prolongar o seu mandato por mais quatro anos.

Recorde-se que Manuel Zelaya foi eleito em 2006 para um mandato de quatro anos não renovável.

Manuel Zelaya, que já se encontra na Costa Rica, pronunciou-se esta tarde sobre o sucedido e considera-se ainda Presidente das Honduras e vítima de sequestro tendo apelado à reposição da legalidade democrática sem recurso à violência.

Manuel Zelaya é um aliado do Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, que já condenou este golpe de Estado e já colocou as suas forças armadas em alerta ameaçando intervir ao dizer que fará tudo o que for necessário se o embaixador da Venezuela for afectado.

É que nas últimas horas surgiu a notícia de que as tropas das Honduras teriam raptado os embaixadores da Velezuela, Cuba e Nicarágua e ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros das Honduras.

Golpe de Estado já foi condenado
As condenações a este golpe estão a chegar um pouco de todo o lado e já tiveram eco no Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, bem como na Presidência checa da União Europeia, em nome dos 27, assim como no Secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que se encontra nesta altura em reunião de emergência para analisar a situação grave que se vive nas Honduras.

"O Presidente foi detido na sua residência e levado por militares para uma base aérea fora da capital", disse o secretário pessoal do Presidente, Carlos Enrique Reina.

Segundo Enrique Reina "houve um confronto entre os atacantes e a guarda pessoal do Presidente" sem, no entanto, ter referido se houve feridos ou mortos, enquanto os militares não se pronunciaram sobre o assunto.

Cerca de 200 militares chegaram em camionetas e rodearam logo pela madrugada a residência de Zelaya na província de Tres Caminos, perto da capital Tegucigalpa, tendo desarmado os cerca de 10 guardas fortemente armados que protegiam o Presidente.

Recorde-se que o Presidente Manuel Zelaya tinha destituído esta semana o chefe máximo militar, general Romeo Vásquez, por este se ter negado a cooperar na consulta para impulsionar as reformas constitucionais, e aceite, pelas mesmas razões, a renuncia do ministro da defesa, Edmundo Orellana, mas a Corte Suprema e o Congresso não consideraram estes actos oficiais.

A consulta popular que se pretendia fazer não era supervisionada pelo Tribunal Supremo Eleitoral, o único organismo estatal que o poderia fazer.

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