Governo da Guiné-Bissau condena assassínio de ex-CEMA
O governo guineense condenou o assassínio do ex-Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) Lamine Sanhá e repudiou os actos de vandalismo protagonizados pelos jovens descontentes com a morte do oficial.
Em comunicado, o executivo guineense, reiterou a "firme condenação" do assassínio do comodoro Lamine Sanhá, que faleceu sábado depois de ter sido baleado por desconhecidos na passada quinta-feira, bem como as cenas de "violência generalizada" registadas no bairro Militar onde morava o falecido.
Poucos minutos após ter sido divulgada a morte de Lamine Sanhá centenas de jovens do bairro Militar, subúrbios da capital guineense, saíram às ruas em manifestação espontânea erguendo barricadas e queimando pneus nas estradas, em protesto contra as circunstâncias que rodearam a morte do militar.
A manifestação só terminou duas horas depois, com a intervenção das forças de segurança, soldados e polícias, tendo os jovens queimado e saqueado, entre outras, uma residência, ainda em construção do presidente João Bernardo "Nino" Vieira.
O executivo acusa os jovens em fúria de terem danificado bens privados e proferido "ofensas corporais e insultos diversos" contra as vítimas da sua acção destruidora.
Nas paredes da residência de "Nino" Vieira atacada pelos jovens são ainda visíveis palavras ofensivas contra a figura do chefe de Estado guineense, escritas pelos manifestantes.
No comunicado, o governo diz que condena à agressão "a bens patrimoniais privados" e lamenta que "até a residência do malogrado Lamine Sanhá" não tenha escapado à fúria dos manifestantes.
O Governo guineense acrescenta que já abriu um inquérito para apurar quem assassinou Lamine Sanhá e encontrar os responsáveis pelos actos de vandalismo registados no dia da morte do ex-CEMA, prometendo levá-los à justiça.
Por outro lado, o executivo avisa que "jamais" tolerará actos deste género no país, pois "minam a credibilidade" tanto interna como externa que tem vindo a ser recuperada.
No comunicado, assinado pelo ministro da presidência do Conselho de Ministros, Rui Diã de Sousa, também porta-voz do executivo, as autoridades apelam à calma, confiança, serenidade e contenção das populações, no sentido de se preservar no país um clima de segurança e paz "tão necessárias à Guiné-Bissau".
Na mesma nota, o Governo congratula-se com a actuação das forças de segurança contra os manifestantes do Bairro Militar.
No domingo, a Liga Guineense dos Direitos Humanos acusou as forças de segurança de terem utilizado "força excessiva" para responder aos actos de vandalismo, afirmando mesmo que o jovem que morreu durante a manifestação foi abatido "à queima-roupa" pelos soldados.