Governo de Hugo Chávez desmente intenção de doutrinar crianças

Governo de Hugo Chávez desmente intenção de doutrinar crianças

O ministro da Educação da Venezuela desmentiu que o projecto de reforma da Lei de Educação tenha como propósito transformar as escolas em centros de doutrinação de crianças e jovens ou acabar com a educação privada e religiosa.

Agência LUSA /

"Ninguém pretende fazer uma barbaridade semelhante", disse Adán Chávez, que é irmão do presidente Hugo Chávez e em Janeiro de 2007 tomou posse como ministro de Educação, Cultura e Desporto.

A designação de Adán Chávez foi interpretada pelos oposicionistas do actual regime como uma estratégia de Hugo Chávez para implementar um sistema de educação socialista, no âmbito do seu projecto de um governo de "socialismo do século XXI" e para doutrinar as crianças e os jovens nos princípios marxistas e leninistas.

"Temem este projecto porque vai conseguir, a médio prazo, que terminem os privilégios e que todos os venezuelanos tenham a mesma oportunidade de estar incluídos no sistema educativo", disse Adán Chávez numa entrevista ao canal de televisão estatal, "Venezolana de Televisión".

Explicou que a emenda da lei tem como propósito fazer que a educação deixe de ser para privilegiados e se transforme "num mecanismo de promoção social" e que os sectores opositores do presidente Hugo Chávez temem que os alunos desenvolvam capacidade crítica e percebam que, durante décadas, os pobres estavam excluídos do actual sistema.

"Em finais da década dos anos 90, só dois por cento das matrículas universitárias eram de alunos provenientes dos sectores pobres", o que era "uma enorme injustiça social" argumentou.

Adán Chávez desmentiu ainda que o governo venezuelano pretenda eliminar com a educação privada e com a educação religiosa. Sublinhou no entanto que as organizações religiosas passarão a ter que prestar contas sobre os subsídios económicos anuais que recebem do Estado.

Os rumores de instalação de uma "educação de ideologia castro-comunista" ou "marxista-lenilista" têm causado apreensão em amplos sectores da sociedade venezuelana, entre eles um importante número de famílias portuguesas, que temem que o Estado venha a assumir o controlo ideológico das crianças ou a inculcar-lhes "princípios revolucionários radicais".

Desde que foi eleito presidente da República, em 1998, Hugo Chávez, tem declarado que o seu governo é socialista e rejeitado a possibilidade da Venezuela avançar para o castro-comunismo.


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