Governo está a empurrar Bolívia para "guerra civil", alerta ex-Presidente Evo Morales
Lauca Eñe, Bolívia, 24 jun 2026 (Lusa) -- O antigo Presidente Evo Morales (2006-2019) disse que o Governo está a empurrar a Bolívia para uma "guerra civil" com as suas "políticas neoliberais", mais de um mês e meio de bloqueios de estradas.
"Com todas estas políticas neoliberais e coloniais, estão a forçar uma guerra civil", disse Morales, numa entrevista à agência de notícias France-Presse (AFP), na terça-feira.
Na segunda-feira, o antigo chefe de Estado acusou o atual Presidente Rodrigo Paz de entregar os recursos naturais do país a "empresas transnacionais" e de pretender aumentar os preços dos serviços básicos e dos combustíveis, algo que o Governo nega.
Os apoiantes de Evo Morales anunciaram na segunda-feira a suspensão dos protestos que exigem a demissão de Rodrigo Paz, após mais de um mês e meio de bloqueios de estradas.
Os dirigentes das Seis Federações dos Trópicos de Cochabamba, uma das principais centrais sindicais de produtores de coca do país, anunciaram uma "pausa temporária" nos protestos.
O líder da central, Isidro Auca, afirmou que a decisão foi tomada para "fazer uma pausa temporária para tentar pacificar" o país, embora tenha avisado que "esta luta vai continuar" e que "a batalha não terminou".
"Defender a folha de coca é defender a soberania e a dignidade do povo. A guerra da coca é muito mais importante do que as guerras da água ou do gás", disse Evo Morales à AFP, na região de Chapare, no centro do país.
O Executivo boliviano diz que a contestação tem sido encorajada por Morales, alvo de um mandado de detenção num suposto caso de tráfico de menores, acusação que rejeita.
O líder indígena, ele próprio antigo cultivador de coca, encontra-se refugiado há dois anos no Chapare, protegido pelos seus apoiantes.
Morales avisou o Governo que "qualquer intervenção militar ou policial encontrará resistência por parte dos camponeses".
"Sabem que haverá problemas aqui; estamos bem organizados. Sabem que os nossos camaradas se defenderão, que nos defenderão. Não queremos mortos nem feridos. Não me renderei", acrescentou.
Morales disse que a acusação de tráfico de menores é "um caso inventado".
"Não estão a encontrar nada em termos de tráfico de droga ou corrupção. É uma questão puramente política. Uma vez que o Evo não é corrupto e não está ligado a nenhum tráfico de droga, estão a tentar usar a acusação de pedofilia. As pessoas acham isso ridículo", disse o antigo Presidente.
Morales disse que nunca pediu a demissão de Rodrigo Paz, mas admitiu que "uma solução política constitucional poderia ser a convocação de eleições".
"A nossa reivindicação é impedir a privatização da electricidade, da água, das telecomunicações, dos recursos naturais, da saúde e da educação", acrescentou.
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