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Governo polaco lança "purga" aos ex-comunistas

Governo polaco lança "purga" aos ex-comunistas

Cerca de 700 mil polacos vão ter de declarar se colaboraram com o regime comunista que vigorou no país até 1989, ao abrigo de uma nova lei que visa libertar o país do comunismo.

Agência LUSA /

Juntamente com a reforma das instituições, a nova legislação é uma das duas principais bandeiras dos dois gémeos no poder, Lech (Presidente da República) e Jaroslaw Kaczynski (primeiro-ministro).

Entre 400 e 700 mil polacos nascidos antes de Agosto de 1972 terão agora até 15 de Maio para enviar a declaração às autoridades. "Colaborou secretamente ou conscientemente com os antigos serviços de segurança comunista? É a pergunta feita" Entre os visados contam-se sobretudo funcionários públicos, jornalistas e professores, mas também notários, advogados, directores desportivos, gestores públicos, fiscalistas e corretores. Os visados arriscam-se a ficar 10 anos incapacitados de desenvolver a sua profissão caso se comprove o seu envolvimento com a antiga polícia secreta.

Caberá ao Instituto de Memória Nacional, instrumento dos gémeos Kaczynski nesta "purga", confrontar as respostas dos visados com os arquivos da antiga polícia política.

A polémica lei divide transversalmente a sociedade polaca e só o Tribunal Constitucional pode agora travar a medida, insólita mesmo entre os países ex-comunistas.

Se tal não acontecer até início de Maio, é provável que a legislação seja enviada até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Vários sectores da sociedade polaca têm apelado ao boicote generalizado, liderados pelos grupos de direitos humanos e pela Gazeta Wyborcza, o principal jornal de referência do país, que desde há dois anos mantém um duro braço-de-ferro com os gémeos Kaczynski.

Desde a sua subida ao poder, no final de 2005, que Lech e Jaroslaw Kaczynski têm pautado a sua política pela purga anticomunista, aliando-se tacitamente à influente Igreja Católica polaca. Os irmãos crêem que os ex-comunistas ainda detêm poder excessivo nos meios políticos, económicos e mediáticos da Polónia.

De resto, em Fevereiro passado, o primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski demitiu o subsecretário de Estado do seu Governo devido a acusações de espionagem.

De acordo com uma contabilidade recente do diário norte-americano International Herald Tribune, em meros 19 meses no poder, os conservadores do PiS (Lei e Justiça) "demitiram cinco ministros das Finanças, dois ministros dos Negócios Estrangeiros, dois ministros do Tesouro, um primeiro- ministro, um ministro da Defesa, um ministro da Administração Interna e vários directores-gerais da Administração Pública".


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