Guiné-Bissau vulnerável a financiamento do terrorismo e branqueamento de capitais
O presidente da Célula Nacional de Tratamento Financeiro (CENTIF) da Guiné-Bissau, Justino Sá, afirmou que o país é vulnerável ao financiamento do terrorismo e ao branqueamento de capitais, tendo em conta as fragilidades do Estado.
O jurista Justino Sá falava à Lusa à margem de um seminário que a CENTIF organizou em Bissau, durante três dias, para fazer uma avaliação dos riscos daqueles dois flagelos no país.
O seminário, que termina hoje, juntou representantes de bancos, instituições financeiras estatais e privadas, Ordem dos Advogados, auditores e seguradoras.
Justino Sá afirmou que pelas informações que a CENTIF tem recebido, por exemplo, de bancos comerciais, a Guiné-Bissau é um país vulnerável ao financiamento do terrorismo e branqueamento de capitais.
"A Guiné-Bissau é um país vulnerável, permeável a esses flagelos. Um país onde não se vê a presença do Estado em todo o território nacional, é um país de risco para que os criminosos aproveitem essa ausência do Estado para praticar atos ilícitos, como crime de tráfico de droga que é um crime subjacente ao branqueamento de capitais associado ao aumento crescente do crime de corrupção na Guiné-Bissau", observou.
O presidente da CENTIF defende que não se pode falar em atos de terrorismo na Guiné-Bissau, mas sublinhou que já não se pode ter a mesma convicção em relação à possibilidade de o país estar a ser utilizado para financiar aquela prática.
"Se formos ver, por exemplo, as ONG, não há mecanismos de controlar, não há uma supervisão sobre as ONG, os fundos que recebem, a origem desses fundos, ninguém sabe. São riscos que, normalmente, podem consubstanciar financiamento do terrorismo", destacou Justino Sá.