Hantavírus. Centro europeu sem razões para suspeitar que se trata de nova estirpe

Hantavírus. Centro europeu sem razões para suspeitar que se trata de nova estirpe

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) afirmou hoje que a informação disponível sobre o hantavírus que causou o recente surto não indica que seja uma nova estirpe com maior risco de transmissão.

Lusa /

"Fazemos as nossas avaliações com base nos dados disponíveis e, no momento, não há qualquer dado que sugira que este vírus está a comportar-se de forma diferente, em termos de transmissibilidade ou severidade, em relação a outros vírus conhecidos que circulam em várias regiões do mundo", adiantou o especialista em microbiologia e epidemiologia molecular do centro europeu, Andreas Hoefer.

Em conferência de imprensa, o especialista do ECDC salientou que o genoma deste vírus foi sequenciado e, com base nessa informação, "não há razão para suspeitar que é um novo vírus".

A diretora do ECDC adiantou que os hantavírus estão identificados na literatura científica há mais de cinco décadas, reiterando que precisam de um longo período de exposição e de um contacto muito intenso para se transmitirem.

"Comparado, por exemplo, com o sarampo, este é um vírus com um risco muito menor de transmissão", assegurou Pamela Rendi-Wagner, adiantando que o centro europeu vai continuar a disponibilizar linhas de orientação atualizadas aos Estados-membros sobre como agirem em relação aos passageiros do navio Hondius que regressaram aos seus países.

Referiu ainda que a quarentena é aconselhada para os ex-passageiros do navio de cruzeiro que estejam assintomáticos por seis semanas, ou seja, até 21 ou 22 de junho, dependente de quando desembarcaram.

Pamela Rendi-Wagner anunciou também que os especialistas do ECDC vão agora focar a sua investigação em duas questões principais -- onde e quando os passageiros foram infetados e qual a transmissibilidade e severidade do hantavírus dos Andes responsável pelo surto.

"Temos de saber mais sobre o vírus em si mesmo, a sua transmissibilidade e severidade, e isso vai ser feito nos próximos dias e semanas através de mais análises genómicas", adiantou a responsável do centro europeu.

Desde 02 de maio, "muita coisa aconteceu num período de tempo muito curto", realçou Pamela Rendi-Wagner, que reconheceu que o surto a bordo do Hondius foi uma "situação muito complexa" devido às incertezas que provocou e ao envolvimento de pessoas de 23 nacionalidades.

"É importante referir que, devido ao longo período de incubação, que é possível que mais casos entre os passageiros, que estão agora em quarentena, possam ocorrer. Isso não pode ser excluído", alertou a diretora do ECDC.

Na terça-feira, o diretor-geral Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou nove casos de infeção pelo hantavírus, mais dois prováveis e três mortes neste surto, todos entre passageiros e tripulantes do Hondius, que partiu da ilha espanhola de Tenerife na segunda-feira com destino a Roterdão, na Holanda, onde irá atracar para ser desinfetado.

A embarcação conta ainda com 25 tripulantes e dois profissionais de saúde a bordo, além do corpo de um passageiro alemão que faleceu durante o cruzeiro.

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