Hantavírus. Oito casos são da estirpe do vírus dos Andes

Hantavírus. Oito casos são da estirpe do vírus dos Andes

Foi identificada a estirpe dos oito casos confirmados de hantavírus relacionados ao surto no navio de cruzeiro MV Hondius. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, é a dos Andes, transmissível entre humanos.

Inês Moreira Santos - RTP /
Borja Suarez - Reuters

Foram confirmados 11 casos de infeção na quarta-feira, incluindo três mortes. Segundo um boletim informativo da OMS, oito destes “foram confirmados em laboratório com uma infeção pelo vírus dos Andes (ANDV), dois são prováveis e um caso é inconclusivo e está sujeito a análises complementares". 

Dois dos oito casos confirmados morreram. 

A taxa de letalidade deste surto é, nesta fase, de 27 por cento e não há vacinas nem tratamento específico para combater o hantavírus, que pode provocar uma síndrome respiratória aguda.

Também segundo a OMS, todos os casos até agora confirmados eram de pessoas a bordo do navio. Paciente norte-americano sintomático com teste inconclusivo 
O caso considerado inconclusivo diz respeito a uma pessoa nos Estados Unidos, "atualmente assintomática". 

Inicialmente, o passageiro do navio MV Hondius apresentou "sintomas leves" e testou positivo num laboratório e negativo em outro. Por isso, os resultados de análises não permitem chegar a uma conclusão.

Todos os 18 norte-americanos repatriados permanecem sob observação médica. A maioria deles está no Nebraska, e outros dois estão em Atlanta, Geórgia.

A OMS considera ainda que o risco é "moderado" para a saúde dos passageiros e da tripulação do navio e "baixo" para o restante da população no mundo. 

A origem deste surto de hantavírus ainda é desconhecida, mas, segundo a OMS, a primeira contaminação ocorreu antes do início da expedição a 1 de abril, pois o primeiro passageiro falecido, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas já a 6 de abril. O período de incubação do vírus situa-se entre uma a seis semanas.

Nesse sentido, a OMS indica que "estão em curso investigações para esclarecer as circunstâncias potenciais da exposição e a fonte do surto epidémico, em colaboração com as autoridades da Argentina e do Chile".

Investigadores do Instituto Malbran de Buenos Aires, uma referência em infetologia, devem, nos próximos dias, deslocar-se a Ushuaia, na Terra do Fogo, para capturar e analisar roedores no local, examinar se poderiam ser vetores do hantavírus, em particular da sua estirpe dos Andes.

O primeiro paciente falecido tinha estado pouco mais de 48 horas em Ushuaia antes de embarcar a 01 de abril. As autoridades da Terra do Fogo consideram "praticamente nula" a possibilidade de ele ter sido infetado no local.

Segundo as autoridades locais, o "ratón colilargo" (rato de cauda comprida) está ausente na província, que nunca registou casos de hantavírus desde que a sua notificação se tornou obrigatória, em 1996.

O vírus dos Andes, transmitido principalmente ao ser humano por roedores infetados, é endémico na América do Sul.

De acordo com a OMS, a sua circulação, assim como casos humanos, foram confirmados sobretudo na Argentina e no Chile. Outros casos, assim como estirpes relacionadas, também foram detetados no Uruguai, no sul do Brasil e no Paraguai.


C/agências
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