ICE nega a governadora de Nova Jersey acesso a centro de detenção de imigrantes
O Serviço de Controlo de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos recusou à governadora de Nova Jérsia, Mikie Sherrill, acesso a um centro de detenção onde os imigrantes entraram em greve de fome.
Sherrill afirmou num comunicado, na segunda feira, que o pedido de acesso ao centro Delaney Hall, em Newark (Nova Jérsia), foi recusado, o que levanta "sérias questões sobre o que é que pretendem esconder do público".
A democrata é a primeira governadora em exercício de Nova Jérsia a tentar entrar nas instalações do centro de detenção, que enfrenta graves denúncias de sobrelotação, falta de cuidados médicos e condições insalubres.
Desde sexta-feira, mais de 300 detidos no centro entraram em greve de fome, numa tentativa de chamar a atenção para a situação, e dezenas de pessoas manifestam-se no exterior devido às denúncias de más condições no centro.
Sherrill falou na segunda-feira com familiares dos imigrantes detidos e com os defensores dos direitos humanos que se encontravam a manifestar-se no exterior da prisão.
"O que ouvi deles foi comovente", sublinhou a governadora.
Desde o início da campanha de deportações em massa do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a prisão tem sido alvo de críticas devido à superlotação que mantém.
"As pessoas que se encontram no Delaney Hall são pais e mães, filhos e filhas, e membros da nossa comunidade. Em Nova Jérsia, acreditamos no Estado de direito e que todas as pessoas merecem ser tratadas com dignidade", afirmou Sherrill.
A governadora esteve acompanhada por outros parlamentares democratas de Nova Jérsia, entre os quais o senador Andy Kim e os deputados Rob Menendez Jr., Nellie Pou e LaMonica McIver.
A democrata garantiu que continuará a exigir responsabilização e o encerramento do centro de detenção.
As manifestações do fim de semana resultaram em confrontos com as autoridades federais, que procederam a detenções.
Pelo menos 17 imigrantes morreram sob custódia do ICE desde o início do ano. Uma investigação recente da CNN revelou que quase 50 detidos do ICE faleceram desde que Trump assumiu a Presidência, o que constitui o número mais elevado de mortes em pelo menos duas décadas.