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Iémen. EUA, França e Reino Unido suspeitos de "crimes de guerra"
Os investigadores das Nações Unidas denunciaram esta terça-feira, com base num relatório, os "crimes de guerra" alegadamente cometidos pelas várias partes envolvidas no conflito iemenita. A lista secreta conta com mais de 160 “atores principais”. Os Estados Unidos, a França e o Reino Unido podem ser considerados cúmplices destes crimes de guerra que perduram há quase cinco anos.
Uma lista secreta, compilada por um painel de investigadores da ONU, identificou, na medida do possível, os “indivíduos que podem ser responsáveis por crimes internacionais".
A lista ainda confidencial apresenta mais de 160 “atores principais” entre os quais a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iémen, mas também o movimento Houthi.
"Indivíduos do Governo do Iémen e da coligação, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, podem ter realizado ataques aéreos em violação aos princípios de distinção, proporcionalidade e precaução, e podem ter usado a fome como método de guerra, atos que podem equivaler a crimes de guerra", revelou esse relatório, posteriormente enviado à chefe dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.
No entanto, o apoio direto ou indireto prestado também foi automaticamente colocado em causa.
"Os Estados podem ser responsabilizados pela ajuda ou assistência prestada para a realização de violações do direito internacional se as condições de cumplicidade forem comprovadas", insistiram os investigadores.
Os Estados Unidos, a França, o Irão e o Reino Unido podem vir a ser considerados cúmplices dos crimes de guerra no Iémen ao armarem e fornecerem apoio de inteligência e logística a uma coligação liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes.
"A legalidade da transferência de armas pela França, Reino Unido, Estados Unidos e outros Estados permanece questionável e é objeto de vários processos judiciais nacionais", lê-se ainda nesse relatório.
“Crimes de guerra”
O relatório refere-se a realidades tão diversas como os ataques aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, no sudoeste do Iémen e as minas plantadas pelas forças Houthis que se lhes opõem.
Os ataques e bombardeamentos atingiram indiscriminadamente a população civil e a fome passou a ser usada como arma de guerra, de tortura, de violação e de detenção arbitrária.
"Cinco anos após o início do conflito, as violações contra civis iemenitas continuam imperturbavelmente, com total desconsideração da situação da população e falta de ação internacional para responsabilizar as partes envolvidas no conflito", afirmou Kamel Jendoubi, Presidente do grupo de especialistas.
De acordo com algumas organizações não-governamentais, este conflito prolongado provocou, até agora, dezenas de milhares de mortos, incluindo muitos civis.
As Nações Unidas revelaram ainda que esta guerra no Iémen levou a que o país mais pobre da Península Arábica entrasse na pior crise humanitária do mundo.
Estas violações cometidas "podem resultar em condenações por crimes de guerra se um tribunal independente e competente for estabelecido”, asseguraram os especialistas.
No entanto, "as declarações da ONU e os vários relatórios exigem responsabilidades, mas provavelmente não vão levar a uma ação imediata”, afirmou Noha Aboueldahab, um dos membros do programa de política externa da Brookings Institution.
Ainda assim, “as informações contidas nesses relatórios são absolutamente cruciais para a construção de casos no futuro", assegurou.
A lista ainda confidencial apresenta mais de 160 “atores principais” entre os quais a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iémen, mas também o movimento Houthi.
"Indivíduos do Governo do Iémen e da coligação, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, podem ter realizado ataques aéreos em violação aos princípios de distinção, proporcionalidade e precaução, e podem ter usado a fome como método de guerra, atos que podem equivaler a crimes de guerra", revelou esse relatório, posteriormente enviado à chefe dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.
No entanto, o apoio direto ou indireto prestado também foi automaticamente colocado em causa.
"Os Estados podem ser responsabilizados pela ajuda ou assistência prestada para a realização de violações do direito internacional se as condições de cumplicidade forem comprovadas", insistiram os investigadores.
Os Estados Unidos, a França, o Irão e o Reino Unido podem vir a ser considerados cúmplices dos crimes de guerra no Iémen ao armarem e fornecerem apoio de inteligência e logística a uma coligação liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes.
"A legalidade da transferência de armas pela França, Reino Unido, Estados Unidos e outros Estados permanece questionável e é objeto de vários processos judiciais nacionais", lê-se ainda nesse relatório.
“Crimes de guerra”
O relatório refere-se a realidades tão diversas como os ataques aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, no sudoeste do Iémen e as minas plantadas pelas forças Houthis que se lhes opõem.
Os ataques e bombardeamentos atingiram indiscriminadamente a população civil e a fome passou a ser usada como arma de guerra, de tortura, de violação e de detenção arbitrária.
"Cinco anos após o início do conflito, as violações contra civis iemenitas continuam imperturbavelmente, com total desconsideração da situação da população e falta de ação internacional para responsabilizar as partes envolvidas no conflito", afirmou Kamel Jendoubi, Presidente do grupo de especialistas.
De acordo com algumas organizações não-governamentais, este conflito prolongado provocou, até agora, dezenas de milhares de mortos, incluindo muitos civis.
As Nações Unidas revelaram ainda que esta guerra no Iémen levou a que o país mais pobre da Península Arábica entrasse na pior crise humanitária do mundo.
Estas violações cometidas "podem resultar em condenações por crimes de guerra se um tribunal independente e competente for estabelecido”, asseguraram os especialistas.
No entanto, "as declarações da ONU e os vários relatórios exigem responsabilidades, mas provavelmente não vão levar a uma ação imediata”, afirmou Noha Aboueldahab, um dos membros do programa de política externa da Brookings Institution.
Ainda assim, “as informações contidas nesses relatórios são absolutamente cruciais para a construção de casos no futuro", assegurou.