Incêndio com 168 mortos em Hong Kong era evitável e previsível - Advogado
O principal consultor jurídico da comissão independente que investiga o incêndio que matou 168 pessoas em sete torres de apartamentos em Hong Kong em 2025 defendeu hoje que a tragédia era evitável e previsível.
O incêndio de 26 de novembro em Wang Fuk Court, em Tai Po, na região administrativa especial chinesa de Hong Kong, foi o mais mortífero do mundo num complexo residencial desde 1980.
Destruiu sete das oito torres de habitação, que estavam cobertas de andaimes de bambu, redes de proteção e painéis de espuma para trabalhos de renovação.
Quase todas as medidas de segurança contra incêndios falharam devido a erros humanos, denunciaram os intervenientes, que participaram desde março em cinco sessões da comissão de inquérito, na conclusão dos trabalhos.
Esta catástrofe "podia ter sido evitada mas não foi, e era previsível mas não foi antecipada", concluiu o consultor jurídico Victor Dawes perante a comissão, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Elementos do inquérito sugerem que o incêndio foi provocado por uma beata de cigarro, declarou.
Segundo as conclusões do consultor, os sistemas de alarme de incêndio e as mangueiras de rega foram desativados para as obras, e foram colocados painéis de espuma em frente às janelas.
Os empreiteiros de construção "criaram conscientemente um risco de incêndio majorado" ao utilizarem redes não ignífugas na fachada, disse Dawes, referindo-se a sistemas para evitar o fogo.
Esta escolha "pode ter feito a diferença entre um incêndio catastrófico que devastou sete torres do complexo e um incêndio que se teria extinguido por si mesmo", afirmou.
Os empreiteiros não impediram os operários de fumar e não eliminaram corretamente os resíduos de obra inflamáveis, ao mesmo tempo que tornaram impraticável a principal via de evacuação, criticou.
O Governo de Hong Kong "deve assumir uma certa quota de responsabilidade", declarou ainda Dawes durante a audição.
O advogado do executivo, Jenkin Suen, tinha reconhecido na quinta-feira a existência de fragilidades no sistema, mas considerou que seria injusto imputar toda a responsabilidade às autoridades públicas.
"As causas principais continuam a ser o engano, a inação e as omissões deliberadas dos intervenientes privados", disse Suen nas conclusões finais.
Os moradores do complexo, que alojava 4.600 pessoas, tinham constatado problemas, mas as queixas foram remetidas de um serviço administrativo para outro, enquanto as inspeções não permitiram corroborar as alegações, indicaram os consultores jurídicos.
Os diretores da empresa de construção e do gabinete de consultores envolvidos na renovação do conjunto residencial, bem como um inspetor, foram indiciados por homicídio involuntário juntamente com as empresas pelas autoridades de Hong Kong.
A comissão de inquérito deverá entregar o relatório ao Governo até setembro.