Incertezas em Moçambique mantêm-se cinco anos após assassínio de Carlos Cardoso

Incertezas em Moçambique mantêm-se cinco anos após assassínio de Carlos Cardoso

Cinco anos depois, o assassínio do jornalista moçambicano Carlos Cardoso continua a ensombrar o sistema judicial do país e a levantar mais dúvidas do que certezas sobre a extensão dos envolvidos no crime.

Agência LUSA /

Carlos Cardoso, o mais conhecido jornalista de investigação de Moçambique, foi morto a tiro ao princípio da noite de 22 de Novembro de 2000, na avenida Mártires da Machava, quando abandonava as instalações do jornal Metical, de que era director.

No mesmo local reuniram-se na terça-feira dezenas de pessoas numa homenagem ao jornalista e, mais uma vez, manifestando o desejo de que se "apure toda a verdade" sobre o caso.

"A busca da verdade sobre a morte de Cardoso não deve envolver só jornalistas, tem que preocupar outros actores sociais", defendeu a viúva do jornalista, a norueguesa Nina Berg, numa clara alusão ao poder político.

O homicídio resultou na condenação de seis homens a pesadas penas de prisão - Manuel Escurinho, Carlitos Rachid, Vicente Ramaya, Nini Satar, Ayob Satar e o cérebro do crime, Aníbal do Santos Júnior, dito "Anibalzinho", que cumpre 28 anos e seis meses de prisão na cadeia de máxima segurança da Machava, de onde este último já se evadiu por duas vezes.

Em fuga quando foi proferida a sentença, "Anibalzinho" conseguiu a repetição do seu julgamento que começa no dia 01 de Dezembro e no qual se esperam novas revelações sobre o homicídio.

Durante o primeiro julgamento, o nome de Nyimpine Chissano, o filho mais velho do então presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, foi citado várias vezes pelos réus, do que resultou a abertura de um processo autónomo que continua parado na Procuradoria-Geral da República.

Esta situação, a par com declarações de alguns dos condenados que, já presos, acusaram, sem nomear, figuras ligadas ao poder político de associação ao crime, lança na opinião pública a dúvida de que nem tudo está esclarecido sobre a morte de Carlos Cardoso.

A RENAMO, o maior partido da oposição moçambicana, acusou terça-feira "os poderes político, executivo, judicial e económico" de não quererem contribuir "para o esclarecimento do assassinato".

Hoje, foi lançada a edição 2005-06 do Prémio Carlos Cardoso, que se destina a trabalhos jornalísticos em defesa da democracia e dos direitos humanos, promovido pela Comissão Europeia, Sindicato dos Jornalistas e outras organizações.

A última edição premiou um trabalho sobre os interesses empresariais do presidente Armando Guebuza, escrito pelo jornalista Marcelo Mosse, colega de Cardoso no Metical e autor, com o jornalista britânico Paul Fauvet, da biografia do assassinado.

PUB