Inquérito a acidente de 1999 em Hong Kong aponta para erros dos pilotos
A comissão encarregue do inquérito ao acidente no aeroporto de Chek Lap Kok, em Hong Kong, que em 1999 vitimou três pessoas, entre as quais uma cidadã portuguesa, concluiu que o desastre se ficou a dever ao mau tempo e a erros dos pilotos.
O relatório da comissão de inquérito, divulgado hoje pelo diário de língua inglesa South China Morning Post, revela que além do mau tempo que se fazia sentir na região - devido à influência de um tufão -, houve uma série consecutiva de erros dos pilotos que iam contra as próprias indicações do fabricante, a McDonnell Douglas.
Segundo o jornal, depois de ter sido avisado de que a aterragem se iria efectuar contra ventos superiores ao que o próprio construtor recomendava como sendo os máximos para a estrutura do aparelho - um MD-11 -, o comandante, de apelido Lettich, dirigiu a aeronave da China Airlines para a pista errada.
A comissão apurou também que o co-piloto Liu Cheng-hsi deu, por duas vezes, instruções erradas ao comandante e que o piloto automático só foi desligado a 150 metros de tocar na pista, em contravenção com o que é aconselhado pelo fabricante.
Além dos erros anteriores, a comissão de inquérito confirmou também que o MD-11 da China Airlines, proveniente de Banguecoque, fez uma aproximação à pista a 175 nós de velocidade, mais 15 do que a recomendação da McDonnell Douglas para situações climatéricas como as que se verificavam na altura em Hong Kong.
Com a sucessão de erros e devido ao mau tempo, o avião partiu uma asa ao aterrar em Hong Kong, virou-se e incendiou-se provocando a morte a três pessoas e ferimentos a mais de 200.
A China Airlines sempre defendeu que o acidente se deveu a uma rajada de vento que fez com que a asa do aparelho tocasse no solo e se partisse.