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Intervenção de Putin no Donbass deixa mundo em alerta para a guerra
Vladimir Putin precisou de poucas horas, na segunda-feira, para rasgar os Acordos de Minsk, reconhecendo os regimes separatistas de Lugansk e Donetsk no leste da Ucrânia, e preparar a colocação de tropas russas nestes territórios, sob pretexto da "manutenção da paz".
Após semanas de impasse, pontuado por ameaças de sanções ocidentais em caso de invasão, o presidente russo dirigiu a rápida escalada da crise russo-ucraniana, que pareceu obedecer a uma lógica quase coreografada: se ao início da tarde uma entrada de tropas russas naqueles territórios seria uma "invasão", o reconhecimento na última noite da independência destes permite à Rússia usar o argumento de que não colocou tropas em território ucraniano.
"A utilização da Ucrânia como instrumento de confronto com o nosso país representa uma ameaça grave, muito grande para nós", disse Putin numa reunião extraordinária do conselho de segurança russo, afirmando que a prioridade de Moscovo "não é o confronto, mas a segurança".
Transmitida em direto para todo o mundo, a reunião em que participaram alguns dos principais conselheiros de Putin e o seu Estado Maior militar, foi a peça central do cenário montado pelo presidente russo. No final, o Kremlin fez saber que o líder russo iria anunciar uma decisão sobre o reconhecimento de Lugansk e Donetsk.
Putin assinou dois decretos que pedem ao Ministério da Defesa que "as Forças Armadas da Rússia (assumam) as funções de manutenção da paz no território" das "repúblicas populares" de Donetsk e Lugansk, segundo noticia a agência France Presse (AFP).
As reações de condenação ocidentais foram rápidas e no sentido de condenar a lesão do território ucraniano. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a decisão da Rússia em reconhecer a independência dos territórios separatistas no Donbass ucraniano "é uma violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia".
É "incompatível com os princípios da Carta das Nações Unidas", salientou o diplomata português através de um comunicado.
António Guterres sublinhou também que as Nações Unidas, de acordo com as resoluções da Assembleia Geral, continuam a apoiar plenamente a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.
Em Washington, o Departamento de Estado norte-americano condenou "fortemente" a decisão da Rússia de reconhecer a independência dos territórios separatistas no Donbass ucraniano, avaliando que se trata de um "claro ataque à soberania e integridade territorial" da Ucrânia.
Em comunicado, o secretário de Estado norte-americano, Antony J. Blinken, indicou que a decisão de Moscovo representa "uma rejeição completa dos compromissos da Rússia sob os acordos de Minsk", "contradiz diretamente o compromisso com a diplomacia reivindicado pela Rússia", e é um "claro ataque à soberania e integridade territorial da Ucrânia".
Blinken salientou que as nações têm a obrigação de não reconhecer um novo "Estado" criado através da ameaça ou uso da força, assim como a obrigação de não romper as fronteiras de outro Estado.
"A decisão da Rússia é mais um exemplo do flagrante desrespeito do Presidente Putin (chefe de Estado russo) pelo direito e normas internacionais", acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana.
Horas antes do comunicado de Blinken, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, anunciou que o Governo norte-americano emitirá "em breve" uma ordem executiva com sanções devido ao reconhecimento pela Rússia das repúblicas separatistas da região ucraniana de Donbass, na Ucrânia, hoje anunciada por Moscovo.
Se as capitais ocidentais estavam em alerta para o rasgar dos Acordos de Minsk, a rapidez da operação de "manutenção de paz" de Putin parece ter surpreendido. O chefe da diplomacia europeia voltou a ameaçar com a imposição de sanções, apelando ao não reconhecimento de Donetsk e Lugansk.
"Partimos do princípio de que o Presidente Putin não o fará, mas, se o fizer, colocarei o pacote de sanções na mesa dos ministros" europeus, advertiu Josep Borrell, no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Bruxelas.
"Se houver anexação, haverá sanções, e se houver reconhecimento (da independência), porei as sanções em cima da mesa dos ministros europeus", precisou o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança.
"A utilização da Ucrânia como instrumento de confronto com o nosso país representa uma ameaça grave, muito grande para nós", disse Putin numa reunião extraordinária do conselho de segurança russo, afirmando que a prioridade de Moscovo "não é o confronto, mas a segurança".
Transmitida em direto para todo o mundo, a reunião em que participaram alguns dos principais conselheiros de Putin e o seu Estado Maior militar, foi a peça central do cenário montado pelo presidente russo. No final, o Kremlin fez saber que o líder russo iria anunciar uma decisão sobre o reconhecimento de Lugansk e Donetsk.
"Considero necessário tomar esta decisão que estava pensada há muito tempo, de reconhecer imediatamente a independência da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk", referiu o chefe de Estado russo num discurso transmitido pela televisão estatal, depois do Kremlin ter divulgado esta intenção.
Putin assinou dois decretos que pedem ao Ministério da Defesa que "as Forças Armadas da Rússia (assumam) as funções de manutenção da paz no território" das "repúblicas populares" de Donetsk e Lugansk, segundo noticia a agência France Presse (AFP).
Reações dos EUA e União Europeia
É "incompatível com os princípios da Carta das Nações Unidas", salientou o diplomata português através de um comunicado.
António Guterres sublinhou também que as Nações Unidas, de acordo com as resoluções da Assembleia Geral, continuam a apoiar plenamente a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.
Em Washington, o Departamento de Estado norte-americano condenou "fortemente" a decisão da Rússia de reconhecer a independência dos territórios separatistas no Donbass ucraniano, avaliando que se trata de um "claro ataque à soberania e integridade territorial" da Ucrânia.
Em comunicado, o secretário de Estado norte-americano, Antony J. Blinken, indicou que a decisão de Moscovo representa "uma rejeição completa dos compromissos da Rússia sob os acordos de Minsk", "contradiz diretamente o compromisso com a diplomacia reivindicado pela Rússia", e é um "claro ataque à soberania e integridade territorial da Ucrânia".
Blinken salientou que as nações têm a obrigação de não reconhecer um novo "Estado" criado através da ameaça ou uso da força, assim como a obrigação de não romper as fronteiras de outro Estado.
"A decisão da Rússia é mais um exemplo do flagrante desrespeito do Presidente Putin (chefe de Estado russo) pelo direito e normas internacionais", acrescentou o chefe da diplomacia norte-americana.
Horas antes do comunicado de Blinken, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, anunciou que o Governo norte-americano emitirá "em breve" uma ordem executiva com sanções devido ao reconhecimento pela Rússia das repúblicas separatistas da região ucraniana de Donbass, na Ucrânia, hoje anunciada por Moscovo.
Se as capitais ocidentais estavam em alerta para o rasgar dos Acordos de Minsk, a rapidez da operação de "manutenção de paz" de Putin parece ter surpreendido. O chefe da diplomacia europeia voltou a ameaçar com a imposição de sanções, apelando ao não reconhecimento de Donetsk e Lugansk.
"Partimos do princípio de que o Presidente Putin não o fará, mas, se o fizer, colocarei o pacote de sanções na mesa dos ministros" europeus, advertiu Josep Borrell, no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Bruxelas.
"Se houver anexação, haverá sanções, e se houver reconhecimento (da independência), porei as sanções em cima da mesa dos ministros europeus", precisou o Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança.
Enquanto se aguarda o próximo passo russo - provavelmente, no terreno e pela força das armas - o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou para a noite de segunda-feira (madrugada de terça-feira em Portugal) uma reunião de emergência sobre a situação da Ucrânia, a pedido de Kiev, Estados Unidos, México e cinco países europeus.