Invasão do Iraque foi há quatro anos
Uma coligação multinacional liderada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque faz hoje quatro anos, com o objectivo de derrubar o regime de Saddam Hussein, acusado de possuir armas de destruição em massa e de ameaçar a paz.
Quatro anos depois e sobretudo mais de 3.200 soldados norte-americanos mortos depois, George W. Bush começou a sofrer o desgaste provocado pela descoberta de que as provas da existência de armas de destruição em massa foram manipuladas e pelo cansaço dos norte-americanos com uma guerra que, mostram as sondagens, tem cada vez menos apoio na população norte-americana.
Sinal desse descontentamento foi a reviravolta operada no Congresso norte-americano, agora dominado pelos democratas a meio do segundo e último mandato de Bush, e os sinais de que o próximo ocupante da Casa Branca poderá vir do lado do partido democrata e não do republicano.
O dia do quarto aniversário da invasão fica marcado pela execução do antigo vice-presidente iraquiano, Taha Ramadan, condenado à pena capital pelas mortes de 148 xiitas.
Taha Yassine Ramadan, que era vice-presidente de Saddam Hussein quando o regime foi deposto há quatro anos, foi o quarto homem a ser executado, depois do próprio Saddam e dois co-réus, pelas mortes de 148 xiitas que se seguiram à tentativa de assassínio em 1982 contra o antigo líder iraquiano na cidade de Dujail.
Os iraquianos, quatro anos após a invasão norte-americana do seu país, declaram-se cada vez mais pessimistas e mostram um sentimento de insegurança quanto ao seu futuro, de acordo com uma sondagem da BBC e da ABC News, publicada segunda-feira.
Segundo este estudo, apenas 39 por cento dos iraquianos questionados pensam que a sua vida está a melhorar e 35 por cento consideram que as coisas vão melhorar no próximo ano.
De acordo com a mesma sondagem, 40 por cento julgam que a situação geral vai melhorar e apenas um pouco mais de um quarto, 26 por cento, declaram sentir-se em segurança no seu próprio bairro.
A amostra dá igualmente a conhecer uma quebra de 14 por cento no apoio à democracia e um aumento de oito por cento a favor de um homem forte e de um Estado islâmico.
As autoridades locais assim como as forças da coligação são ambas criticadas: 53 por cento estão descontentes com a gestão do governo iraquiano enquanto 82 por cento afirmam ter perdido a confiança nas tropas estrangeiras.
Setenta e oito por cento opõem-se à sua presença e 69 por cento consideram que não fazem mais do que piorar a situação.
Por fim, cerca de 63 por cento indicam que as tropas estrangeiras devem abandonar o Iraque após uma melhoria da segurança e o reforço das instituições do país.
A sondagem foi efectuada num universo de cerca de 2.000 pessoas nas 18 províncias do Iraque entre 25 de Fevereiro e 05 de Março.