Irão libertará presos iraniano-norte-americanos em troca de milhões congelados
O Irão transferiu cinco iraniano de origem norte-americanos de um estabelecimento prisional para prisão domiciliária, antes da libertação, em troca de milhões de dólares congelados na Coreia do Sul, revelaram hoje fontes de Washington e Teerão.
Autoridades iranianas nas Nações Unidas confirmaram à agência Associated Press (AP) os detalhes do acordo, que tem como finalidade a libertação total dos detidos, acrescentando que a transferência dos presos "marca um passo inicial significativo na implementação do acordo".
O Irão também reconheceu que o acordo envolve entre 6.000 milhões e 7.000 milhões de dólares, que foram congelados como resultado de sanções aplicadas pelos EUA.
A missão do Irão na ONU detalhou que o dinheiro será transferido para o Qatar antes de ser enviado para o Irão, caso o acordo seja aprovado.
A transferência final do dinheiro, bem como a libertação final dos cinco detidos, pode ocorrer no próximo mês ou posteriormente, devido à natureza complicada das transações financeiras, detalharam as autoridades iranianas.
O acordo deve valer a Joe Biden novas críticas dos republicanos, que acusam o Presidente norte-americano de estar a ajudar a impulsionar a economia iraniana, num momento em que Teerão é visto como uma ameaça crescente para os EUA e os aliados do Médio Oriente.
Está em curso um grande reforço militar norte-americano no Golfo Pérsico, com a possibilidade de tropas norte-americanas armadas embarcarem e protegerem navios mercantes que atravessam o estratégico estreito de Ormuz, por onde passa 20% de todo o petróleo mundialmente comercializado.
O advogado norte-americano Jared Genser, que representa um dos prisioneiros, já tinha revelado que os cinco detidos devem ficar instalados num hotel sob vigilância.
Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, descreveu hoje as negociações para a libertação como "em andamento" e delicadas.
"Embora este seja um passo encorajador, estes cidadãos americanos nunca deveriam ter sido detidos em primeiro lugar", sublinhou Watson, citada num comunicado.
Já o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, frisou que os norte-americanos "devem ter permissão para deixar o Irão" e reunir-se com a sua família "o mais rápido possível".
Não é claro quantos iraniano-norte-americanos são mantidos em detenção por Teerão, que não reconhece a dupla cidadania.
As autoridades norte-americanas recusaram-se a comentar sobre quantos prisioneiros, ou quais, podem ser libertados num acordo final.
O Irão e os EUA têm um historial de trocas de prisioneiros que remonta à tomada da embaixada dos EUA em 1979 e à crise de reféns após a Revolução Islâmica.
A mais recente grande troca de presos entre os dois países ocorreu em 2016, quando o Irão fez um acordo com as potências mundiais para restringir o seu programa nuclear em troca de um alívio nas sanções.