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Irão vai libertar sete tripulantes do petroleiro britânico apreendido

Irão vai libertar sete tripulantes do petroleiro britânico apreendido

O Irão anunciou esta quarta-feira que vai libertar, por razões humanitárias, sete tripulantes do petroleiro Stena Impero, de bandeira britânica, que foi apreendido no Estreito de Ormuz em julho. Na terça-feira, os Estados Unidos impuseram novas sanções a Teerão, desta vez à agência espacial do Irão. O Presidente do Irão rejeitou manter negociações bilaterais com Donald Trump, afirmando que apenas aceita um diálogo com multilateral com os países que assinaram o acordo nuclear com Teerão, caso os EUA levantem as sanções.

RTP /
Os tripulantes serão libertados por razões humanitárias e poderão sair do Irão em breve. Reuters

Em declarações a um canal televisivo iraniano, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Mousavi, anunciou que serão libertados sete dos 23 tripulantes que se encontram a bordo do petroleiro britânico Stena Imperio. Abbas Mousavi revelou que os tripulantes serão libertados por razões humanitárias e poderão sair do Irão em breve.

O proprietário do petroleiro de bandeira britânica confirmou esta informação, apesar de afirmar que ainda não recebeu a confirmação oficial da data da libertação por parte das autoridades iranianas.

“Estamos muito satisfeitos que o tormento possa terminar em breve para sete tripulantes e que possam voltar para suas famílias. No entanto, aguardamos cautelosamente a confirmação oficial da data de libertação", disse em comunicado Erik Hanell, chefe executivo e presidente da empresa Stena Bulk, que possui o petroleiro britânico.

“Não temos nenhum problema com a tripulação e o capitão. A questão são as violações que o navio cometeu”, declarou Mousavi.

O petroleiro britânico foi apreendido pela Guarda Revolucionário do Irão, em julho, quando passava pelo Estreito de Ormuz, por alegadas infrações marítimas. A detenção ocorreu duas semanas depois de o Reino Unido ter apreendido o petroleiro iraniano Grace 1, acusando-o de violações contra o bloqueio à Síria.

O Stena Impero foi, posteriormente, levado para o porto iraniano da cidade Bandar Abbas, onde permanece atracado.

A apreensão do navio iraniano alimentou a tensão entre o Irão e o Ocidente, intensificada pelas sanções impostas por Washington a Teerão desde que os EUA se retiraram, em 2018, do acordo internacional que visava restringir o programa nuclear da República Islâmica
Novas sanções
Na passada terça-feira, os Estados Unidos impuseram novas sanções a Teerão, desta vez à agência espacial do Irão, acusando-a de desenvolver mísseis balísticos sob a cobertura de um programa civil para lançar satélites em órbita.

“A tentativa iraniana de disparar um lançador espacial em 29 de agosto sublinha a urgência da ameaça”, declarou o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, num comunicado.

Mike Pomepo refere-se à alegada preparação, por parte do Irão, do lançamento de um satélite de comunicação – Nahid 1 – para o espaço.O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, rejeitou as sanções dos EUA à agência espacial do Teerão, apelidando-as de “ineficazes”.

Os Estados Unidos argumentam que tais lançamentos desafiam uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, apelando ao Irão para não realizar atividades relacionadas com mísseis balísticos capazes de transportar armas nucleares.

Anunciadas pelos departamentos de Estado e do Tesouro contra a agência e duas das suas afiliadas, as presentes sanções sujeitam empresas e governos estrangeiros, incluindo organizações internacionais de cooperação espacial, a penalizações por qualquer ligação e congelam os bens dos sancionados em território norte-americano.
Passo atrás de Rohani
Também na terça-feira, o Presidente do Irão, Hassan Rohani, rejeitou manter negociações bilaterais com o seu homólogo, Donald Trump, afirmando que, caso os EUA levantem as sanções, apenas aceita um diálogo multilateral com os países que assinaram o acordo nuclear com Teerão em 2015.

“Dissemos isso repetidamente e reiterámos: não temos intenção de ter conversações bilaterais com os Estados Unidos. Nunca o fizemos e nunca faremos”, disse Rohani perante o Parlamento iraniano.

Hassan Rohani recua, assim, nas suas intenções, depois de ter afirmado, no final da conferência do G7, que não fechava a porta a uma reunião com o Presidente norte-americano.

Durante a conferência de encerramento do G7 que decorreu no final de agosto, o Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou o seu interesse num encontro entre Hassan Rouhani e Donald Trump.

O Presidente norte-americano respondeu estar disponível para tal reunião, caso as “circunstâncias” para esse encontro estivessem reunidas.

Por sua vez, Rohani declarou: “se ao encontrar-me pessoalmente com alguém estiver a resolver os problemas do meu país não vou hesitar, porque os interesses nacionais são o meu principal objetivo”.

No entanto, pouco tempo depois, o Presidente iraniano desmoronava uma possível solução para a crise entre Teerão e Washington ao instar Donald trump a dar “o primeiro passo, levantando todas as sanções ilegais, injustas e desleais contra a nação iraniana”.

Hassan Rohani ameaçou igualmente reduzir ainda mais os seus compromissos em matéria nuclear "nos próximos dias" se as negociações com os países europeus envolvidos no acordo nuclear não alcançarem resultados.

c/ Agências
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