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Israel admite que mantém em aberto invasão terrestre no Líbano

Israel admite que mantém em aberto invasão terrestre no Líbano

O Exército israelita admitiu hoje que "todas as opções estão em cima da mesa" sobre a possibilidade de um ataque terrestre contra o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerão, em adição à campanha aérea em curso.

Lusa /

As forças de Israel estão a operar no Líbano "para eliminar uma ameaça significativa", justificou o porta-voz do exército, Effie Defrin em conferência de imprensa, acrescentando que "todas as opções estão em cima da mesa" no objetivo de desarmar o Hezbollah.

Nadav Shoshani, porta-voz internacional do exército, descartou porém aos jornalistas estrangeiros a possibilidade uma invasão terrestre no curto prazo.

"Nada no terreno justifica uma invasão terrestre iminente, nem preparativos nesse sentido", declarou.

A ONU manifestou hoje preocupação com o relançamento da violência entre Israel e o Hezbollah, apelando a todas as partes para que exerçam máxima contenção.

"Estamos muito preocupados com a troca de tiros ao longo da Linha Azul", disse aos jornalistas o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre a demarcação imposta pelas Nações Unidas entre o Líbano e Israel.

"Apelamos para a máxima contenção e instamos as partes a respeitarem o acordo de cessar-fogo", acrescentou Stéphane Dujarric, referindo-se à trégua em vigor desde novembro de 2024 e que os dois lados se acusam mutuamente de sucessivas violações desde então.

Segundo dados oficiais de Beirute, os ataques aéreos israelitas em grande escala contra o Líbano mataram hoje pelo menos 52 pessoas e feriram 154.

Os militares israelitas reivindicaram bombardeamentos a mais de 70 armazéns de armas, locais de lançamento e lançadores de mísseis pertencentes ao Hezbollah, que anteriormente tinha visado o norte de Israel, em resposta aos ataques lançados desde sábado por Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Além disso, o exército israelita indicou que a série de ataques no Líbano teve como alvo a empresa financeira Aal-Qard al-Hassan, ligada ao Hezbollah e confirmou que o chefe dos serviços de informações do grupo libanês foi morto.

Segundo o grupo islamita palestiniano Hamas, aliado do Hezbollah e do Irão, os ataques israelitas na periferia sul de Beirute provocaram também a morte do chefe do braço armado da Jihad Islâmica no Líbano.

Ao mesmo tempo, o Governo libanês proibiu as atividades militares do Hezbollah e exigiu que o grupo entregue as armas ao Estado, limitando-se às suas atividades políticas, anunciou hoje o primeiro-ministro do país, Nawaf Salam, após uma reunião do executivo.

Em resposta, o Hezbollah condenou a decisão sem precedentes do Governo libanês, argumentando que seria mais vantajoso responder aos ataques israelitas.

Em comunicado, o chefe do bloco parlamentar do Hezbollah, Mohammad Raad, lamentou "a bravata do Governo" e criticou o anúncio, que acontece "quando o povo libanês esperava uma decisão que rejeitasse a agressão de Israel".

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

O Irão confirmou a morte do `ayatollah` Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.

Israel e Hezbollah estiveram em guerra durante cerca de um ano, no seguimento dos ataques do Hamas em solo israelita que provocaram o conflito na Faixa de Gaza.

As partes chegaram a um cessar-fogo em novembro de 2024, depois de as forças israelitas terem executado bombardeamentos intensivos no Líbano, que eliminaram grande parte da liderança do grupo xiita.

Apesar da trégua, Israel continuou a atacar alvos do Hezbollah, argumentando que o grupo xiita procura readquirir as suas capacidades militares, e conserva ainda posições no sul do Líbano.

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