Israel é o país aliado que mais espia os Estados Unidos

Israel é o país aliado que mais espia os Estados Unidos

Um funcionário da Câmara dos Representantes considerou as actividades de espionagem económica levadas a cabo por Israel nos EUA como "alarmantes, mesmo aterradoras". Nessas actividades, segundo os dois funcionários, Israel leva, de longe, a palma a todos os restantes países aliados dos EUA. Alemanha, França, Reino Unido e Japão fazem figura de amadores inofensivos na comparação com Israel.

RTP /
Manifestação em Israel pela libertação de Jonathan Pollard, preso nos EUA por espionagem a favor de Israel Ammar Awad, Reuters

Segundo um artigo publicado no semanário Newsweek, o tema vem a público no contexto de discussões dos legisladores sobre as medidas a tomar para aligeirar os procedimentos de obtenção de visto para cidadãos israelitas viajando para os Estados Unidos. Funcionários dos serviços de informações dos EUA terão defendido nas reuniões realizadas à porta fechado no Capitólio que Israel tinha ido longe demais e que, a coberto de missões comerciais e de contratos sobre tecnologia de defesa, tinha "atravessado as linhas vermelhas".

Nas reuniões têm participado funcionários do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Estado, do FBI e do Directório Nacional de Contrainteligência. Um antigo funcionário do Congresso que participou também nos encontros afirmou que foi especialmente discutida a "espionagem industrial, pessoas que vêm cá em missões comerciais ou com empresas israelitas a colaborarem com empresas americanas, [ou] operacionais da espionagem sob as ordens directas do Governo, o que suponho significar ordens vindas da Embaixada [israelita]".

Aaron Sagui, porta-voz da Embaixada israelita, logo emitiu um desmentido, também em declarações prestadas a Newsweek:  "Israel não leva a cabo operações de espionagem nos Estados Unidos, ponto final. Condenamos o facto de essas acusações falsas e difamatórias estarem a ser lançadas contra Israel".

Por outro lado, aquele semanário cita I.C. Smith, um antigo agente de contrainteligência do FBI, afirma que "tratar com os israelitas no início dos anos 1980 era, para quem fosse destacado para essa área, extremamento frustrante. Os israelitas confiavam o mais possível no seu poder, especialmente no Capitólio, para ficar acima de quase tudo".

Em concreto, Smith explica que esse "era o tempo da Lista de Critérios por País, e achei incrível que Taiwan e o Vietname, por exemplo, estivessem [na lista], quando nenhum desses dois países tinha levado a cabo actividades que mesmo remotamente se parecessem com o caso [do espião israelita] Pollard, e nenhum deles tivesse um historial ou uma capacidade comparável para levar a cabo tais actividades". Quanto a Israel, a descoberta do espião Jonathan Pollard não o impedira de fazer lobby para entrar na lista, actualmente de 38 países, cujos cidadãos não precisam de visto para entrar nos EUA.

Segundo o editor de política externa e de segurança no site de notícias do Capitólio, Jonathan Broder, "preocupa a comunidade dos serviços secretos dos EUA que a inclusão de Israel no programa de renúncia aos vistos tornaria mais fácil aos espiões israelitas entrarem no país".

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