Japão anuncia saída da CBI e recomeço da caça comercial de baleias
O Japão anunciou esta quarta-feira a saída da Comissão Baleeira Internacional. Com a decisão, é formalizado o regresso à caça de baleias para fins comerciais. A Greenpeace criticou o Governo japonês, ao reiterar a importância de trabalhar “em prol de oceanos saudáveis”.
O Governo japonês divulgou esta quarta-feira que vai retirar-se da Comissão Baleeira Internacional (CBI) no próximo ano. A saída da CBI, que será oficializada no final de junho, abre portas para o regresso à caça comercial de baleias, que estava proibida desde 1986.
Yoshihide Suga, porta-voz do Governo japonês, explica que a saída da CBI é efetuada a 30 de junho, sendo retomada a caça durante o mês de julho.
O Japão compromete-se a caçar apenas em águas territoriais e na zona económica exclusiva, ao abandonar a caça em águas antárticas.
Entre as causas apresentadas para a saída da CBI, Yoshihide Suga refere a falta de aceitação por parte dos Estados-membros de soluções propostas e a não alteração da moratória de 1986. O porta-voz informa ainda que as discussões no 67º encontro da CBI no Brasil reforçaram a ideia de que os Estados-membros não estavam dispostos a aceitar as soluções apresentadas.
De acordo com o comunicado do porta-voz, o Governo japonês compromete-se a cooperar com os países que partilhem a mesma posição sobre o uso sustentável de recursos marinhos vivos.
“Apesar do Japão se retirar da CBI, continua comprometido com a cooperação internacional para a gestão adequada dos recursos marinhos vivos. Em coordenação com organizações internacionais, como por meio do seu envolvimento com a CBI como observador, o Japão vai continuar a contribuir para a gestão sustentável com base científica dos recursos de baleias,” afirma Yoshihide Suga.
O porta-voz do Governo japonês reforça ainda a importância da captura de baleias na cultura japonesa, ao comentar que “na sua longa história, o Japão utilizou baleias não apenas como fonte de proteína, mas também para uma variedade de outras finalidades. O envolvimento na caça às baleias tem apoiado as comunidades locais e, assim, desenvolvido a vida e cultura do uso de baleias.”
Yoshihide Suga destaca que “o Japão espera que mais países compartilhem a mesma posição para promover o uso sustentável de recursos marinhos vivos com base em dados científicos, que serão transmitidos às gerações futuras”.
O Japão junta-se agora à Islândia e à Noruega, que praticam a caça comercial de baleias. Apesar de ser oficializada novamente a caça comercial no Japão, o país continuou a atividade após a moratória de 1986, ao alegar que a pesca servia o propósito de pesquisa científica.
Face à posição tomada pelo Governo japonês, a organização ambiental Greenpeace emitiu um comunicado, condenando esta decisão.
“A declaração de hoje está desajustada com a comunidade internacional, e ainda menos com a proteção necessária para salvaguardar o futuro dos nossos oceanos e destas criaturas majestosas. O Governo japonês deve agir com urgência para conservar os ecossistemas marinhos, ao invés de retomar a caça comercial de baleias,” comentou Sam Annesley, diretor executivo da organização no Japão.
Sam Annesley acrescenta ainda que “como um país rodeado por oceanos, onde as vidas das pessoas dependem significativamente dos recursos marinhos, é essencial que o Japão trabalhe em prol de oceanos saudáveis. O Governo japonês não conseguiu até ao momento resolver estes problemas.”