Japão. UE levanta as restrições de Fukushima às importações de alimentos

Japão. UE levanta as restrições de Fukushima às importações de alimentos

Na Cimeira UE-Japão, esta quinta-feira, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen anunciou o levantamento das restrições à importação de produtos alimentares na sequência do acidente nuclear de Fukushima. A decisão decorre dos resultados positivos dos controlos efetuados aos produtos pelas autoridades japonesas e pelos Estados-membros.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Cimeira UE-Japão. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel e a a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen posam para uma fotografia numa conferência de imprensa, em Bruxelas, Bélgica, a 13 de julho de 2023. Johanna Geron - Reuters

Na sequência do encontro, entre o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida e os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e Charles Michel, em Bruxelas, esta quinta-feira, a Comissão Europeia adotou o regulamento que estabelece o levantamento das restrições à importação de alimentos, aprovado previamente pelos Estados-membros.

"Os resultados favoráveis do controlo nos últimos anos demonstram o forte empenho e cooperação dos nossos parceiros japoneses", declarou Stella Kyriakides, Comissária responsável pela Saúde e Segurança Alimentar.

“A UE possui uma das normas de segurança alimentar mais rigorosas do mundo e a sua manutenção é a principal prioridade do nosso trabalho", declarou Stella Kyriakides.Após o acidente de Fukushima, em 2011, a União Europeia aumentou as restrições às importações várias vezes, reforçando as medidas para proteger a saúde humana contra uma possível contaminação radioativa dos alimentos para consumo humano e animal provenientes do Japão, nomeadamente a imposição de realização de testes de radioatividade antes da exportação dos produtos alimentares.

Desde a adoção das restrições que as medidas têm sido revistas pela Comissão de dois em dois anos e têm sido progressivamente reduzidas, à medida que os riscos diminuem. Na última revisão, em setembro de 2021, apenas os cogumelos selvagens, algumas espécies de peixes e as plantas comestíveis selvagens ficaram sujeitas às restrições dos testes prévios à exportação.

Numa conferência de impressa após a Cimeira, a UE anunciou que as restrições serão levantadas, em princípio já no próximo mês, acrescentando que o Japão continuará a monitorizar a radioatividade dos produtos.

"Esta medida ajudará a impulsionar a reconstrução das áreas devastadas e é algo que apreciamos e saudamos", disse o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, durante a conferência de imprensa.

"É igualmente importante que o Governo japonês disponibilize publicamente todos os resultados”, salienta a UE em comunicado.

Atualmente onze países mantêm os controlos sobre as importações de produtos provenientes da região de Fukushima e de outras regiões do Japão.
A decisão de Bruxelas afrouxar as restrições é vista como parte de uma tentativa de aliviar os controlos sobre os produtos agrícolas da UE. A exportação de carne de bovino, fruta e produtos hortícolas da UE estão atualmente limitados pelas barreiras comerciais japoneses, devido às regras de segurança alimentar.

O levantamento das regras de restrição às importações de alimentos japoneses ocorre, semanas antes de Tóquio começar a bombear as águas residuais nucleares para o Oceano Pacífico. Outros países, incluindo a China, ameaçaram restringir ainda mais as importações japonesas de produtos do mar, se a ideia persistir.


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