JD Vance sublinha que nuclear é `linha vermelha` nas negociações com Teerão
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou hoje haver "progressos" nas negociações com o Irão para pôr fim ao conflito, mas sublinhando que o acesso da República Islâmica a armas nucleares é uma `linha vermelha` para Washington.
Em conferência de imprensa, Vance indicou que manteve hoje contactos com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados da Casa Branca encarregues de negociar com o Irão, bem como com aliados norte-americanos no mundo árabe, que recusou identificar.
"Acho que houve progressos. A questão fundamental é se estamos a progredir o suficiente para atingir a `linha vermelha` do Presidente (Donald Trump)", disse Vance, enfatizando que esta é a de que a República Islâmica não obtenha uma arma nuclear.
Trump rejeitou esta semana as mais recentes propostas iranianas, comparando o cessar-fogo em vigor a um paciente "em estado crítico".
Os Estados Unidos e o Irão encontram-se num processo de diálogo mediado pelo Paquistão. As divergências têm impedido a realização de uma segunda reunião em Islamabade, que acolheu o primeiro encontro direto após o cessar-fogo de 08 de abril, que foi entretanto prorrogado por tempo indeterminado.
O conteúdo da proposta inicial norte-americana não foi divulgado, mas, segundo alguns meios de comunicação social, o documento contém um memorando de entendimento para pôr fim aos combates, que já causaram milhares de mortos desde o início da guerra, e para estabelecer uma estrutura para as negociações sobre a questão nuclear iraniana.
Na sua resposta, o Irão exige o fim imediato das hostilidades na região, incluindo no Líbano, onde os ataques israelitas e do Hezbollah pró-iraniano continuam apesar de mais um cessar-fogo.
Teerão exige ainda o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos seus portos e o desbloqueio dos ativos iranianos detidos no estrangeiro, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Trump acenou com a ameaça de retomar a sua operação para impedir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irão.
Hoje, Vance defendeu ainda Trump depois de o Presidente ter dito aos jornalistas na terça-feira que não estava preocupado com "a situação financeira do povo norte-americano" no meio do conflito no Médio Oriente e do aumento dos preços da gasolina.
"Bem, não acho que o Presidente tenha dito isso. Acho que é uma deturpação das suas palavras", afirmou Vance, reiterando que concorda com Trump que o Irão "não deve ter uma arma nuclear".
"Mas, claro, tanto o Presidente como eu, e toda a equipa, estamos preocupados com a situação financeira do povo norte-americano", ressalvou.
Teerão respondeu ao ataque norte-americano e israelita iniciado em 28 de fevereiro atacando com mísseis e `drones` instalações militares e petrolíferas de países vizinhos e ainda bloqueando o Estreito de Ormuz, via essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás da região.
O bloqueio do estreito de Ormuz e os recentes ataques e apreensões de navios iranianos na zona por parte das forças norte-americanas foram alguns dos motivos apontados por Teerão para não participar nas negociações em Islamabade, dado que considera estas ações como uma violação do cessar-fogo.
O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse na terça-feira que o curso de ação mais racional e benéfico para Teerão é alcançar a vitória no campo de batalha através de negociações com Washington.
Ao mesmo tempo, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que não há alternativa para o fim da guerra senão a aceitação da proposta de Teerão por parte dos Estados Unidos.
Trump está em Pequim para dois dias de reuniões com o presidente chinês, Xi Jinping, numa viagem ensombrada pela crise com o Irão, enquanto os Estados Unidos procuram que a China, o principal comprador de petróleo iraniano, convença Teerão a reabrir o Estreito de Ormuz.