Joaquim Chissano renuncia à presidência da FRELIMO
O comité central da FRELIMO, no poder em Moçambique, aceitou o pedido de Joaquim Chissano de renúncia ao cargo de presidente do partido, que passa a ser ocupado pelo novo chefe de Estado, Armando Guebuza.
Chissano, que ascendeu à liderança da FRELIMO em 1986, colocou o seu lugar à disposição no segundo dia da IV sessão do comité central, reunido desde quinta-feira na Matola, arredores de Maputo.
Antes do início dos trabalhos, Chissano propôs a discussão da sua renúncia, que disse ter por objectivo a sua substituição por Armando Guebuza, o novo presidente da república e secretário-geral da FRELIMO, na presidência do partido.
Apesar de ter deixado a chefia do Estado moçambicano em Fevereiro último, Chissano mantinha-se no cargo de presidente da FRELIMO, enquanto o seu sucessor na Ponta Vermelha ocupava as funções de secretário-geral.
"O Comité Central, consensualmente, deliberou aceitar o pedido de renúncia do presidente do partido, Joaquim Chissano, decisão que será formalizada ainda nesta sessão através de uma resolução", disse hoje à imprensa o porta-voz do encontro, Manuel Tomé.
Tomé afirmou que, desde a proclamação da independência de Moçambique, em 1975, e a introdução do regime de partido único no país, o presidente da FRELIMO foi simultaneamente o chefe de Estado moçambicano, em conformidade com os estatutos da organização.
A renúncia de Chissano de candidatar-se a um terceiro mandato na chefia de Estado e o aparecimento da candidatura de Guebuza, que venceu as eleições multipartidárias de Dezembro, deram origem a que, pela primeira vez na história de Moçambique, o presidente da república não fosse em simultâneo o presidente da FRELIMO.
A situação vai ser agora reposta com a elevação de Guebuza ao mais alto cargo do partido no poder.
"Este princípio verifica-se quer na nossa região, em países como a África do Sul e Tanzânia, quer na Europa, como na Inglaterra e em Portugal, onde o dirigente máximo do partido encabeça o Governo", sublinhou o porta-voz da IV sessão do comité central da FRELIMO.
Com a renúncia ao cargo de presidente da FRELIMO, Joaquim Chissano, um dos co-fundadores do movimento que conduziu a luta anti- colonial, concluiu a sua retirada da política activa, devendo agora dedicar-se a uma fundação que, com o seu nome, visa promover a paz e o desenvolvimento em Moçambique e em África.
A sucessão de Joaquim Chissano por Armando Guebuza na FRELIMO e na chefia do Estado é a primeira entre líderes vivos na organização, uma vez que os anteriores dirigentes do partido foram substituídos por terem morrido.
Eduardo Mondlane, o primeiro presidente da FRELIMO, morreu em 1969, num atentado à bomba atribuído à PIDE, tendo sido substituído por Samora Machel, que proclamou a independência de Moçambique em 1975, e que faleceu num desastre de avião, em 1986, uma acção que Maputo atribuiu ao antigo regime do apartheid da África do Sul.