Johnson & Johnson. Empresa disposta a pagar 4,84 mil milhões de euros para terminar batalha judicial sobre talco

Johnson & Johnson. Empresa disposta a pagar 4,84 mil milhões de euros para terminar batalha judicial sobre talco

Perto de 76 mil consumidores dos EUA e outros milhares no Reino Unido processaram a J&J por alegarem que o famoso pó de talco para bebés foi responsável por causar cancro nos ovários.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
A empresa, com sede em Nova Jersey, sempre negou que o pó talco tenha causado cancro às pessoas. Yves Herman - Reuters

De pó que suavizava a pele dos bebés de todo o mundo, a elemento causador de cancro dos ovários. Esta foi a razão para que 76 mil pessoas apresentassem reclamações e em 2009 o caso fosse mesmo parar aos tribunais.

Mas, 17 anos depois, a Johnson & Johnson (J&J) acaba de anunciar a intenção de querer por fim à longa batalha judicial e ofereceu-se para pagar aos queixosos 5,5 mil milhões de dólares, o equivalente a 4,84 mil milhões de euros.

Esta segunda-feira, o vice-presidente para a área dos litígios da J&J, Erik Haas, afirmou que a medida foi tomada para encerrar o assunto, no entanto, diz que são "sem fundamento" as alegações avançadas.

"Embora estejamos confiantes de que a empresa teria ganho num processo judicial mais longo, como aconteceu com a grande maioria dos casos julgados até o momento, a decisão permite que a empresa deixe o assunto para trás e esteja focada na missão de desenvolver medicamentos e dispositivos que salvam vidas", acrescentou.

O compromisso da empresa é pagar 2,64 mil milhões de euros (3 mil milhões de dólares) já no próximo ano e a restante verba em 2028.

A J&J sempre negou que o pó talco fosse responsável por causar cancro nos ovários, mas os queixosos alegavam que o talco tinha amianto e causava mesotelioma.

Entretanto um dos advogados que representa cerca de 2500 clientes disse que o valor total do acordo pode ultrapassar a verba anunciada pela J&J e atingir os 7 mil milhões de euros.
Empresa substituiu talco por amido de milho

Quase uma década depois das alegações, em 2020, a J&J tomou a decisão de, nos Estados Unidos, parar de vender o pó à base de talco e foi substituido por um outro produto feito à base de amido de milho. Em 2023, a estratégia da empresa foi aplicada a todo o mercado mundial.
Reino Unido também processou a J&J
Do outro lado do Atlântico, no Reino Unido, também surgiram queixas semelhantes. A J&J enfrenta ações judiciais de milhares de pessoas, no entanto, a imprensa britânica não avanço o número exato. 

Alegaram que entre 1965 e 2023 um elemento da família e até as próprias pessoas desenvolveram cancro de ovário ou mesotelioma e apontam como causa o pó talco para bebés da Johnson's.

No ano passado, o escritório de advogados KP Law entrou com uma ação no Tribunal Superior de Londres e pedia uma indemnização não só à J&J como à Kenvue UK (empresa que em 2023 se separou da Johnson’s e agora está no mercado de forma independente).

Neste processo, alegam que o produto da J&J estava contaminado com fibras cancerígenas, incluindo amianto, e que a empresa ocultou, durante décadas, o risco que tinha para a população.

Mas quando começaram a surgir as acusações, a empresa Kenvue veio esclarecer que o talco para bebés da J&J "não continha amianto e não causa cancro".
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