Jornalista Fernando Lima atribui prémio a "maior liberdade de imprensa" no país

Jornalista Fernando Lima atribui prémio a "maior liberdade de imprensa" no país

Maputo, 21 Jul (Lusa) - O jornalista moçambicano Fernando Lima considerou hoje a sua escolha como melhor jornalista africano de língua portuguesa nos Prémios de Jornalismo da CNN-Multichoice "uma prova de que é possível escrever com liberdade em Moçambique", apesar de "algumas vicissitudes".

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A vitória de Fernando Lima, jornalista do grupo moçambicano MediaCoop, proprietária do semanário Savana e do diário MediaFax, distribuído por Internet, foi anunciada sábado passado em ACra, capital do Gana, numa cerimónia que também consagrou o melhor em todas as categorias um jornalista zimbabueano, que concorreu com um trabalho sobre o HIV/SIDA.

Fernando Lima foi seleccionado para a final com um conjunto de trabalhos publicados no jornal "Savana", semanário de referência em Moçambique, realizados durante as cheias no vale do Zambeze, em 2007, com o fotógrafo moçambicano Naíta Ussene.

Comentando à Lusa a sua escolha, no que foi a 14ª edição dos Prémios de Jornalismo Africano da CNN-Multichoice, o jornalista qualificou-a "importante para a área da imprensa independente em Moçambique".

"Demonstra que (Moçambique) está no caminho certo", apesar das enormes dificuldades com que o sector da comunicação social se debate no país, sublinhou.

"O facto de ter ganho através de um trabalho que elaborei com independência, objectividade e imparcialidade significa que temos mais liberdade de imprensa em Moçambique do que em muitos países africanos, apesar de enfrentarmos também muitas dificuldades", assinalou Lima, que concorreu com as reportagens "Quando o rio se zangou" e "No epicentro da crise".

As peças "mostram a cara, os sentimentos e a humanização" das vítimas das cheias no vale do Zambeze, centro de Moçambique, normalmente retratadas em "número de mortos, feridos e verbas necessárias para o seu socorro".

Com os dois trabalhos, Lima diz que quis também "quebrar o estereótipo" com que são avaliadas as entidades nacionais que prestam a assistência as vítimas das calamidades naturais, que são consideradas "ineptas, incapazes e corruptas".

"O engenheiro Paulo Zucula trouxe competência e organização à gestão das calamidades naturais, permitindo que se limitasse ao mínimo o sofrimento das vítimas, em contraste com a desordem que antes caracterizava o processo", enfatizou o jornalista, referindo-se à acção do antigo director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), actual ministro dos Transportes e Comunicações.

Fernando Lima é o terceiro jornalista moçambicano a ser considerado o melhor da África lusófona, depois de Refinaldo Chilengue, em 2006, e Arão Valói, em 2007.

Actual presidente do Conselho de Administração da Mediacoop, proprietária de vários títulos de imprensa, Fernando Lima iniciou-se na profissão em 1976, tendo trabalhado para a agência de notícias moçambicana, AIM, e para o jornal "Notícias".

Desde então, tem mantido colaborações regulares com vários órgãos de informação portugueses, entre os quais o "Diário de Notícias", o semanário "Expresso" e o extinto "O Jornal", bem como com as rádios TSF e Rádio Comercial.

A edição deste ano do prémio contou com 1.912 concorrentes de 44 países, tendo o veterano jornalista moçambicano sido integrado num lote de 23 nomeados que disputaram prémios em 18 categorias diferentes (Turismo, Artes e Cultura, Economia e Negócios, Ambiente, Imprensa Livre, Saúde e Questões Médicas, HIV/SIDA em África, Melhor Artigo Publicado em Revista, entre outros).

O Prémio Jornalista Africano do Ano da CNN foi fundado em 1995 por Edward Boateng (antigo Director Regional Africano da Turner Broadcasting System Inc., empresa-mãe da CNN) e por Mohamed Amin, já falecido, com vista a reconhecer e incentivar a excelência no jornalismo em toda a África.

PMA/PGF.

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