Jovens timorenses exigem anulação do concurso para recrutamento da polícia
Dezenas de jovens realizaram hoje um protesto, em Díli, a exigir que seja cancelado o concurso de recrutamento para a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), suspenso pelo Governo, após acusações de irregularidades.
"Continuamos a pedir ao Governo que anule totalmente o processo de recrutamento da polícia", afirmou Tito Orlenas, porta-voz dos manifestantes, que incluíam estudantes e candidatos ao concurso.
O Governo timorense suspendeu temporariamente, em 11 de fevereiro, o concurso de recrutamento de novos polícias para a PNTL, depois de os candidatos e várias organizações da sociedade civil terem denunciado a falta de credibilidade do processo por alegados favorecimentos.
O Executivo decidiu igualmente integrar elementos independentes nacionais e internacionais na Comissão de Monitorização e Fiscalização e realizar uma revisão de todas as fases do concurso.
"As vagas para o recrutamento da PNTL são um concurso público para todos os timorenses, não apenas para filhos de polícias ou de veteranos, e devem cumprir a legislação em vigor", sublinhou Tito Orlenas, junto à Universidade Nacional de Timor-Leste, em Caicoli, onde decorreu o protesto.
O porta-voz dos manifestantes disse também que a ação de hoje foi apenas um sinal de alerta público.
"Amanhã [terça-feira], disse, a mobilização será mais organizada e com mais participantes para contestar a injustiça e a discriminação social no futuro", disse.
"Recebemos apoio de vários setores sociais. Esperamos que a decisão do Governo vá ao encontro da nossa exigência de anulação. Caso contrário, haverá novas ações", acrescentou Tito Orlenas.
Na semana passada, o presidente da comissão de supervisão do recrutamento de novos candidatos à PNTL, Paulo Assis Belo, informou que a equipa detetou 71 filhos de polícias e 72 filhos de veteranos colocados em posições privilegiadas na lista de vagas para novos recrutamentos.
Em janeiro, a comissão de recrutamento da polícia timorense anunciou que 10.595 candidatos tinham sido aprovados, mas que apenas 400 candidatos foram autorizados a avançar para a fase de testes médicos.
A comissão de recrutamento nunca explicou de que forma selecionou os 400 candidatos para prosseguirem os exames médicos.