Juiz caboverdeano confirma julgamento de oito arguidos do "Caso Lancha Voadora"
Cidade da Praia, 03 jul (Lusa) - Um juiz do Tribunal da Cidade da Praia confirmou a ida a julgamento de oito dos 15 principais arguidos do caso "Lancha Voadora", ligado ao tráfico de droga, noticia hoje a edição "online" do jornal A Semana.
Segundo aquele semanário cabo-verdiano, que cita o despacho do juiz, a decisão foi tomada após todos terem sido ouvidos na Audiência Contraditória Preliminar (ACP).
No despacho, o juiz mantém todas as acusações formalizadas pelo Ministério Público, entre eles as feitas ao antigo presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BCV) Veríssimo Pinto.
A dois dos principais arguidos, o juiz decidiu reforçar as medidas de coação, juntando ao Termo de Identidade e Residência (TIR), a interdição de viajar para fora do país, enquanto os restantes vão continuar a aguardar o julgamento em prisão preventiva.
Todos são acusados por crimes de tráfico de droga, associação criminosa e lavagem de capitais, delitos graves na legislação cabo-verdiana.
Em outubro de 2011, a Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde levou a cabo a "Operação Lancha Voadora", em que apreendeu, na Cidade da Praia, 1501,3 quilos de cocaína (já entretanto incinerada), bem como viaturas de luxo, elevada quantia de dinheiro e outros bens, assim como procedeu à detenção de três cabo-verdianos.
Entretanto, a lista de envolvidos no caso foi crescendo e, neste momento, são 15 os arguidos formais deste processo: Veríssimo Pinto, Paulo Pereira, Quirino dos Santos, Carlos Gomes Silva, António "Totony" Semedo, Ernestina "Nichinha" Pereira, Ivone de Pina Semedo, Luís Ortet, Nilton Jorge, Sandro Spencer, Nerina Rocha, José "Djoy" Gonçalves, Jacinto Mariano, José Teixeira e José Alexandre Oliveira.
"Os primeiros oito acusados aguardam julgamento sob prisão preventiva e o resto em liberdade, mas todos são suspeitos de pertencerem a uma rede que se dedicava ao tráfico de drogas, lavagem de capitais e associação criminosa", escreve o A Semana.
Além dos detidos, o Ministério Público cabo-verdiano está a investigar cinco empresas pertencentes a alguns dos arguidos: Imopraia, Autocenter, Editur, Aurora International e a imobiliária Tecno-Lage.
A primeira sociedade pertence a Paulo Pereira, que o jornal afirma tratar-se de "um dos grandes cabecilhas da rede de droga", a segunda ao ex-presidente da BCV e outras duas são do empresário José Teixeira.
A data dos julgamentos ainda não é conhecida.